Ana Paula Gourlart Ribeiro

De Literacia da Memória
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Ana Paula Goulart Ribeiro é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora brasileira na área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq (nível 2), cuja trajetória acadêmica e intelectual se destaca pela consolidação de uma abordagem interdisciplinar que articula memória, mídia, história e cultura audiovisual como campos indissociáveis de análise.[1]

Sua produção teórica e empírica concentra-se na investigação dos modos pelos quais os meios de comunicação operam como instâncias estruturantes da memória social, não apenas registrando acontecimentos, mas organizando temporalidades, produzindo enquadramentos narrativos e participando ativamente das disputas simbólicas em torno da definição do passado, da identidade coletiva e das formas de reconhecimento social.[2]

Formação acadêmica

Ana Paula Goulart Ribeiro realizou sua formação inicial na Universidade Federal Fluminense, onde concluiu a graduação em Comunicação Social em 1990, tendo também cursado História, percurso que evidencia uma orientação epistemológica marcada pela convergência entre análise mediática e reflexão historiográfica.[3]

Essa dupla formação constitui um elemento estruturante de sua trajetória, permitindo que sua produção acadêmica se desenvolva a partir de uma compreensão ampliada da mídia como fenômeno histórico e da história como construção discursiva mediada por dispositivos comunicacionais.

No mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluído em 1995, desenvolveu a dissertação A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico, na qual analisa o papel da imprensa na organização de narrativas históricas, destacando a imprensa como agente de construção de inteligibilidade temporal.[4]

Em 2000, concluiu o doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com a tese Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50, na qual examina os processos de modernização do jornalismo brasileiro, articulando dimensões econômicas, profissionais, discursivas e simbólicas na configuração do campo jornalístico.[5]

Sua formação foi ampliada por estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, inserindo sua produção em circuitos internacionais de pesquisa sobre mídia, memória e história cultural.[6]

Trajetória acadêmica e institucional

Desde 2003, Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde construiu uma trajetória contínua que culmina na posição de professora titular em 2024, evidenciando reconhecimento institucional e consolidação acadêmica.[7]

Sua atuação na UFRJ caracteriza-se por uma combinação de atividades de ensino, pesquisa, orientação e gestão acadêmica. Entre suas funções institucionais, destacam-se a coordenação do curso de Jornalismo (2004–2008) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura (2013–2015), além da liderança de linhas de pesquisa e participação em comissões de avaliação, credenciamento e seleção.[8]

No âmbito da docência, ministra disciplinas que refletem diretamente suas áreas de investigação, incluindo História do Jornalismo, Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Televisão: teoria e história e estudos culturais, contribuindo para a formação de pesquisadores com forte base crítica e interdisciplinar.[9]

Atuação profissional e articulação com o campo mediático

Paralelamente à carreira acadêmica, Ana Paula Goulart Ribeiro desenvolve atuação relevante no campo da memória institucional e da história da mídia, especialmente por meio de sua colaboração com a TV Globo desde 2003, no âmbito do projeto Memória Globo.[10]

Nesse contexto, desempenhou funções que incluem pesquisa histórica, realização de entrevistas, coordenação de equipes, supervisão editorial e desenvolvimento de conteúdos, contribuindo diretamente para a construção de narrativas institucionais sobre a televisão brasileira e para a preservação de acervos audiovisuais.

Essa dimensão de sua trajetória evidencia a articulação entre pesquisa acadêmica e práticas de memória aplicada, especialmente no campo dos arquivos midiáticos, da história oral e da produção institucional de narrativas históricas.

Linhas de pesquisa

A produção intelectual de Ana Paula Goulart Ribeiro organiza-se em torno de eixos interligados:

Mídia e memória

Seu trabalho parte da compreensão da memória como construção social mediada, na qual os meios de comunicação desempenham papel central na seleção, organização e circulação de narrativas sobre o passado.[11]

História da mídia e do jornalismo

Investiga os processos históricos de constituição da imprensa brasileira, com atenção às transformações estruturais, às práticas profissionais e às relações entre mídia, poder e sociedade.

Televisão e cultura audiovisual

Analisa a televisão como espaço privilegiado de produção de memória, explorando ficção televisiva, arquivos, testemunhos e narrativas históricas mediadas.

Nostalgia e temporalidades

Desenvolve pesquisas sobre nostalgia audiovisual, investigando como produtos culturais mobilizam o passado e produzem efeitos de identificação, memória e pertencimento.[12]

Memória, política e cidadania

Examina os usos políticos da memória, especialmente em contextos de ditadura, democracia e disputas narrativas sobre o passado recente.

Projetos de pesquisa

Entre seus principais projetos destacam-se:

  • Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira (2024–)[13]
  • A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania (2023–)[14]
  • Pantanal e o mercado da nostalgia (2022–2024)[15]
  • Patologias da memória (2018–2023)[16]
  • Mundos ficcionais e representação da política (2018–2019)[17]

Esses projetos evidenciam uma abordagem consistente que compreende a mídia como agente ativo na produção da memória coletiva e na articulação entre passado, presente e futuro.

Produção intelectual

A autora possui extensa produção bibliográfica, incluindo livros, artigos e coletâneas. Entre suas obras destacam-se:

  • Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50
  • Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões
  • História da Televisão no Brasil
  • Mídia e Memória

Seus artigos abordam temas como memória da ditadura, nostalgia audiovisual, história do jornalismo e narrativa televisiva.[18]

Contribuições teóricas

A principal contribuição de Ana Paula Goulart Ribeiro reside na consolidação de uma perspectiva que compreende a mídia como instância constitutiva da memória social. Em sua obra, os meios não são apenas suportes de registro, mas dispositivos que organizam experiências temporais, constroem narrativas históricas e participam de disputas simbólicas sobre o passado.

Sua abordagem contribui para ampliar o campo dos estudos de memória ao incorporar a análise da cultura midiática, da televisão, do jornalismo e dos arquivos audiovisuais como dimensões centrais da construção social da memória.

Referências

  1. Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro, CNPq. :contentReference[oaicite:0]{index=0}
  2. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. A mídia e o lugar da história. Lugar Comum, 2000.
  3. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
  4. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:2]{index=2}
  5. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:3]{index=3}
  6. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
  7. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:5]{index=5}
  8. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:6]{index=6}
  9. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:7]{index=7}
  10. Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:8]{index=8}
  11. RIBEIRO; BERTOL. Mídia e memória da ditadura brasileira. 2021.
  12. RIBEIRO. Mercado da nostalgia. 2018.
  13. Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:9]{index=9}
  14. Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:10]{index=10}
  15. Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:11]{index=11}
  16. Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:12]{index=12}
  17. Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:13]{index=13}
  18. RIBEIRO. A mídia e o lugar da história. 2000.