Ana Paula Gourlart Ribeiro: mudanças entre as edições
Sem resumo de edição |
Sem resumo de edição |
||
| Linha 4: | Linha 4: | ||
|title=Ana Paula Goulart Ribeiro | literaciadamemoria.org | |title=Ana Paula Goulart Ribeiro | literaciadamemoria.org | ||
|title_mode=replace | |title_mode=replace | ||
|keywords=Ana Paula Goulart Ribeiro, memória, mídia, história da mídia, nostalgia, televisão, jornalismo | |keywords=Ana Paula Goulart Ribeiro, memória, mídia, história da mídia, nostalgia, televisão, jornalismo, comunicação, UFRJ, estudos da memória, memória social, memória cultural | ||
|description=Ana Paula Goulart Ribeiro é | |description=Ana Paula Goulart Ribeiro é professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ e pesquisadora brasileira nas áreas de memória, mídia, história da mídia, nostalgia, jornalismo e televisão. | ||
}} | }} | ||
| Linha 13: | Linha 13: | ||
|} | |} | ||
'''Ana Paula Goulart Ribeiro''' é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora brasileira | '''Ana Paula Goulart Ribeiro''' é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora brasileira da área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 2. Sua trajetória acadêmica destaca-se pela articulação entre memória, mídia, história, jornalismo, televisão, nostalgia e cultura audiovisual, com especial atenção aos modos pelos quais os meios de comunicação participam da construção social do passado, da organização das temporalidades coletivas e da produção de imaginários públicos sobre acontecimentos, instituições e experiências históricas.<ref name="lattes">Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. ''Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro''. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/2408262120718131.</ref> | ||
Sua produção | Sua produção acadêmica compreende livros, artigos científicos, capítulos, organização de coletâneas, projetos de pesquisa, atuação editorial e participação em redes nacionais e internacionais dedicadas aos estudos de memória, história da mídia, televisão e comunicação. Ao longo de sua carreira, consolidou-se como uma das principais pesquisadoras brasileiras na interface entre comunicação e memória, especialmente por investigar a mídia não apenas como registro de acontecimentos, mas como instância produtora de narrativas, enquadramentos e disputas simbólicas sobre o passado.<ref name="midialugar">RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''A mídia e o lugar da história''. Lugar Comum, 2000.</ref> | ||
{| class="infobox-bio" | |||
|- | |||
! colspan="2" style="text-align:center; font-size:140%; padding:0.4em; background-color:#555; color:#fff;" | Ana Paula Goulart Ribeiro | |||
|- | |||
| colspan="2" class="infobox-bio-img" style="text-align:center; padding:0.5em;" | [[File:Ana_Paula_Goulart_Ribeiro.jpg|250px]] | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Nome completo | |||
| Ana Paula Goulart Ribeiro | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Nome em citações | |||
| RIBEIRO, A. P. G.<br>RIBEIRO, ANA PAULA GOULART | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Lattes iD | |||
| [http://lattes.cnpq.br/2408262120718131 2408262120718131] | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Nacionalidade | |||
| Brasileira | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Ocupação | |||
| Professora universitária<br>Pesquisadora<br>Autora<br>Organizadora de obras acadêmicas<br>Consultora em memória institucional | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Área de atuação | |||
| Comunicação<br>História da mídia<br>Estudos da memória<br>Jornalismo<br>Televisão<br>Teoria da comunicação | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Linhas de pesquisa | |||
| Memória social<br>Memória cultural<br>Nostalgia<br>História da imprensa<br>Televisão e narrativa audiovisual<br>Mídia e política<br>História oral<br>Arquivos midiáticos | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Instituição principal | |||
| Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Unidade acadêmica | |||
| Escola de Comunicação (ECO/UFRJ) | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Cargo atual | |||
| Professora titular | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Vínculo | |||
| Servidora pública<br>Dedicação exclusiva, 40h | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Formação acadêmica | |||
| Graduação em Comunicação Social, UFF<br>Graduação em História, UFF<br>Mestrado em Comunicação, UFRJ<br>Doutorado em Comunicação e Cultura, UFRJ | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Pós-doutorado | |||
| Université de Grenoble, França<br>Université de Lyon, França | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Orientador | |||
| Milton José Pinto | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Grupos de pesquisa | |||
| Mídia, Memória e Temporalidades | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Redes acadêmicas | |||
| Rememora<br>ReLahm<br>Historicidades dos Processos Comunicacionais<br>International Media and Nostalgia Network<br>Obitel Brasil | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Atuação institucional | |||
| UFRJ<br>TV Globo<br>Intercom<br>Associação Brasileira de Memória Empresarial | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Projetos de destaque | |||
| Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira<br>A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania<br>Pantanal e o mercado da nostalgia<br>Patologias da Memória<br>Mundos ficcionais e representação da política | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Obras relevantes | |||
| ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50''<br>''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões''<br>''História da Televisão no Brasil''<br>''Mídia e Memória'' | |||
|- | |||
! style="text-align:left;" | Distinções | |||
| Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq, nível 2<br>Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, 2015 | |||
|} | |||
== Biografia == | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro construiu uma trajetória acadêmica marcada pela aproximação entre comunicação, história e memória. Sua formação inicial em Comunicação Social e História permitiu o desenvolvimento de uma perspectiva interdisciplinar voltada à análise dos processos de produção social do passado, sobretudo a partir da imprensa, da televisão, dos arquivos midiáticos e das narrativas audiovisuais.<ref name="lattes" /> | |||
Sua obra parte de uma compreensão da mídia como agente histórico e cultural, isto é, como instância que não apenas registra acontecimentos, mas também seleciona, hierarquiza, interpreta e reinscreve fatos no espaço público. Nesse sentido, sua contribuição é relevante para os estudos da memória porque evidencia que jornais, telejornais, novelas, séries, arquivos institucionais e testemunhos audiovisuais atuam como dispositivos de mediação temporal. | |||
== Formação acadêmica == | == Formação acadêmica == | ||
Ana Paula Goulart Ribeiro | Ana Paula Goulart Ribeiro graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense em 1990 e também cursou História na mesma instituição. Essa dupla formação é decisiva para compreender sua produção posterior, pois sua obra articula métodos, questões e objetos da comunicação com problemas tradicionalmente vinculados à historiografia, como memória, temporalidade, narrativa, arquivo, testemunho e produção do sentido histórico.<ref name="lattes" /> | ||
Em 1995, concluiu o mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação ''A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico'', orientada por Milton José Pinto. O trabalho já indicava uma preocupação central com a imprensa como agente de produção de inteligibilidade histórica, analisando como o jornalismo organiza acontecimentos, atribui relevância a determinados fatos e contribui para a formação de narrativas públicas sobre o presente e o passado.<ref name="lattes" /> | |||
Em 2000, obteve o doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com a tese ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50'', também sob orientação de Milton José Pinto. A pesquisa examinou a imprensa carioca, a modernização jornalística, os jornalistas, a memória e as transformações profissionais, discursivas e institucionais do campo jornalístico brasileiro.<ref name="lattes" /> | |||
A pesquisadora realizou ainda estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, fortalecendo sua inserção internacional em debates sobre história, mídia, memória, patrimônio audiovisual, arquivos e temporalidades culturais.<ref name="lattes" /> | |||
== Trajetória acadêmica == | |||
=== Universidade Federal do Rio de Janeiro === | |||
Desde 2003, Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolveu uma carreira acadêmica contínua até alcançar a posição de professora titular da Escola de Comunicação em 2024.<ref name="lattes" /> | |||
Na UFRJ, exerceu atividades de ensino, pesquisa, orientação, extensão e gestão acadêmica. Coordenou o curso de Jornalismo entre 2004 e 2008, foi vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura entre 2011 e 2013 e coordenou o mesmo programa entre 2013 e 2015.<ref name="lattes" /> | |||
Também atuou na coordenação da linha Mídia e Mediações Socioculturais, além de participar de comissões de seleção, credenciamento, recredenciamento, revalidação de diplomas e avaliação acadêmica. Essas funções evidenciam sua presença institucional na consolidação da pesquisa em Comunicação no Brasil.<ref name="lattes" /> | |||
=== Docência === | |||
Na graduação, ministrou disciplinas como História do Jornalismo, História da Comunicação e Seminários de Comunicação. Na pós-graduação, sua atuação docente inclui disciplinas como Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Mídia, Memória e História, Mídia, Tempo e Memória, Televisão: Teoria e História, Audiovisual, Teoria da Linguagem e Estudos Culturais, além de cursos sobre Mikhail Bakhtin, linguagem e cultura.<ref name="lattes" /> | |||
Essa atuação docente demonstra a coerência entre sua produção científica e sua prática formativa, pois seus cursos articulam comunicação, linguagem, história, temporalidade, memória e cultura audiovisual como dimensões centrais da análise midiática. | |||
== Atuação profissional e institucional == | |||
=== Memória Globo === | |||
Além da carreira universitária, Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação relevante em projetos de memória institucional e história da mídia. Desde 2003, mantém vínculo de consultoria com a TV Globo, tendo participado da coordenação do projeto Memória Globo.<ref name="lattes" /> | |||
Nesse contexto, realizou atividades de montagem de programa de história oral, entrevistas, pesquisa histórica, redação, supervisão editorial, organização de conteúdo, supervisão de site e coordenação de equipe. Essa experiência reforça a dimensão aplicada de sua trajetória, especialmente na interface entre pesquisa acadêmica, memória institucional, história oral, arquivo audiovisual e narrativa pública sobre a televisão brasileira.<ref name="lattes" /> | |||
=== Intercom e memória institucional === | |||
Entre 2014 e 2017, atuou como Diretora de Comunicação e Memória da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Desde 2017, exerce a função de coordenadora do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Memória Empresarial.<ref name="lattes" /> | |||
Sua atuação nessas instituições reforça sua presença em debates sobre memória organizacional, memória empresarial, história da comunicação e institucionalização dos estudos de memória no campo comunicacional. | |||
A produção intelectual de Ana Paula Goulart Ribeiro | == Atuação editorial == | ||
Ana Paula Goulart Ribeiro exerceu funções editoriais em periódicos acadêmicos e participou de corpos editoriais relacionados à comunicação, história da mídia e saúde. Foi editora da revista ''ECO-PÓS'', vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, e integrou ou integra periódicos como ''Eco-Pós'', ''Ciberlegenda'', ''Revista Brasileira de História da Mídia'' e ''RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde''.<ref name="lattes" /> | |||
Sua atuação editorial evidencia o papel desempenhado na circulação do conhecimento científico, na consolidação de áreas de pesquisa e na formação de comunidades acadêmicas em torno da comunicação, da história da mídia e da memória. | |||
== Áreas de pesquisa == | |||
A produção intelectual de Ana Paula Goulart Ribeiro pode ser compreendida a partir de eixos interligados que atravessam sua trajetória. | |||
=== Mídia e memória === | === Mídia e memória === | ||
A relação entre mídia e memória constitui o eixo estruturante de sua produção. A autora investiga como os meios de comunicação participam da construção, seleção, organização e legitimação de memórias sociais, compreendendo a memória não como simples preservação do passado, mas como processo ativo, disputado e mediado por instituições, narrativas, tecnologias e práticas culturais.<ref name="midialugar" /> | |||
Nessa perspectiva, a mídia aparece como um operador de temporalidades, pois transforma acontecimentos em narrativas, seleciona marcos interpretativos, produz visibilidades e silenciamentos e interfere na maneira como grupos sociais reconhecem, disputam e atualizam o passado. | |||
=== História da mídia e do jornalismo === | === História da mídia e do jornalismo === | ||
Outro eixo decisivo é a história da imprensa e do jornalismo brasileiro. Suas pesquisas analisam a modernização da imprensa, a formação de mercados jornalísticos, a atuação de jornalistas, a história da imprensa carioca e as relações entre jornalismo, política, memória e poder.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950''. Estudos Históricos, 2003.</ref> | |||
Esse campo de investigação permite compreender o jornalismo como prática social historicamente situada, atravessada por transformações técnicas, empresariais, profissionais e discursivas. | |||
=== Televisão e cultura audiovisual === | === Televisão e cultura audiovisual === | ||
A televisão ocupa lugar central em sua trajetória, tanto como objeto histórico quanto como forma cultural. Suas pesquisas sobre televisão abordam testemunho, ficção televisiva, nostalgia, reprises, remakes, memória institucional, história oral e representação política.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. ''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões''.</ref> | |||
A partir dessa perspectiva, a televisão é compreendida como um espaço de produção de memória coletiva, pois suas imagens, arquivos e narrativas participam da organização pública do passado e da constituição de repertórios afetivos e culturais. | |||
=== Nostalgia e temporalidades === | === Nostalgia e temporalidades === | ||
Nos últimos anos, Ribeiro tem desenvolvido pesquisas sobre nostalgia audiovisual, mercado da nostalgia e imaginação mnemônica. Esses estudos investigam como produtos televisivos e midiáticos mobilizam referências ao passado, atualizam experiências pretéritas e produzem sentidos sociais, afetivos e políticos no presente.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais''. E-Compós, 2018.</ref> | |||
A nostalgia, em sua produção, não é tratada apenas como sentimento individual ou saudade de um tempo anterior, mas como operador cultural que organiza temporalidades, produz identificações coletivas e participa de disputas sobre memória, identidade e pertencimento. | |||
=== Memória, política e cidadania === | === Memória, política e cidadania === | ||
Parte significativa de sua produção volta-se às relações entre memória, política e cidadania, especialmente em pesquisas sobre ditadura militar, violações de direitos, responsabilidade empresarial, usos políticos do passado e representação de períodos autoritários em narrativas midiáticas.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart; BERTOL, Rachel. ''Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado''. Rumores, 2021.</ref> | |||
Essa linha evidencia a dimensão pública e política da memória, demonstrando que lembrar e esquecer são processos atravessados por disputas de poder, enquadramentos institucionais, interesses sociais e formas midiáticas de circulação. | |||
=== Arquivos, testemunhos e história oral === | |||
A autora também trabalha com arquivos, testemunhos e relatos de vida, explorando a dimensão metodológica e epistemológica da história oral nos estudos de jornalismo, comunicação, memória e televisão.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas''. Contracampo, 2015.</ref> | |||
Nesse campo, sua produção contribui para pensar o testemunho não apenas como fonte de informação, mas como prática narrativa, dispositivo de memória e forma de construção de sentidos sobre a experiência histórica. | |||
== Projetos de pesquisa == | == Projetos de pesquisa == | ||
=== Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira === | |||
Projeto iniciado em 2024, coordenado por Ana Paula Goulart Ribeiro, dedicado à análise de produtos de teleficção seriada brasileira e às formas pelas quais eles acionam a nostalgia. O projeto investiga elementos do passado mobilizados pelas narrativas, os modos de enquadramento de experiências pretéritas e os processos de subjetivação, identificação coletiva e agenciamento político produzidos pela imaginação televisual.<ref name="lattes" /> | |||
=== A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania === | |||
Projeto iniciado em 2023, desenvolvido no âmbito da Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva. A proposta busca renovar o olhar sobre a ficção televisiva brasileira a partir do conceito de recurso comunicativo e da metodologia dos mapas barberianos. O projeto articula metainvestigação do conhecimento produzido pela rede e reflexão sobre a telenovela como recurso para políticas públicas, educação e cidadania.<ref name="lattes" /> | |||
=== Pantanal e o mercado da nostalgia === | |||
Projeto desenvolvido entre 2022 e 2024, dedicado ao remake de ''Pantanal'' e à análise da nostalgia na teledramaturgia brasileira. A pesquisa investiga como o remake articula memória coletiva, atualização de questões sociais e cidadania, considerando temas como meio ambiente, gênero e raça.<ref name="lattes" /> | |||
=== Responsabilidade de empresas sobre violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S.Paulo === | |||
Projeto realizado entre 2021 e 2023 no âmbito do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo. A pesquisa examinou responsabilidades empresariais em violações de direitos durante a ditadura brasileira, tomando o caso da ''Folha de S.Paulo'' como objeto de investigação.<ref name="lattes" /> | |||
=== Archives-Médias-Images-Sociétés === | |||
Projeto internacional iniciado em 2021, financiado pelo CNRS, dedicado à pesquisa sobre arquivos, mídia, imagem e sociedade. Trata-se de uma cooperação entre grupos de pesquisa do Brasil e da França, com abordagem interdisciplinar envolvendo comunicação, história e audiovisual.<ref name="lattes" /> | |||
=== Remakes, reprises e cultura da nostalgia === | |||
Projeto desenvolvido entre 2020 e 2021, voltado à análise da nostalgia audiovisual durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19. A pesquisa investigou a retomada de antigas novelas pela TV Globo, observando a aceitação do público, a circulação de produtos televisivos de arquivo e o papel da nostalgia no consumo audiovisual.<ref name="lattes" /> | |||
=== Patologias da Memória: testemunhos, mídia e velhice === | |||
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2023, dedicado às representações midiáticas do esquecimento, especialmente em relação à velhice e à doença de Alzheimer. A pesquisa analisou relatos testemunhais, reportagens, livros, autobiografias e vídeos pessoais que abordam a perda de memória no mundo contemporâneo.<ref name="lattes" /> | |||
=== Mundos ficcionais e representação da política === | |||
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2019, voltado à análise da representação da ditadura militar brasileira em séries da TV Globo, especialmente ''Anos Rebeldes'' e ''Os Dias Eram Assim''. O projeto investigou imagens, discursos, enquadramentos, silenciamentos e esquecimentos produzidos por narrativas ficcionais sobre o passado recente do Brasil.<ref name="lattes" /> | |||
=== #meuladojoaquina: convocações do feminino e narrativas autobiográficas na cultura participativa === | |||
Projeto desenvolvido entre 2016 e 2017, voltado à análise das narrativas autobiográficas mobilizadas por hashtags associadas à telenovela ''Liberdade, Liberdade''. A pesquisa investigou relatos pessoais em vídeo, articulações entre narrativa ficcional e experiência social, construção de sentidos sobre o feminino e dinâmicas interacionais em redes sociais.<ref name="lattes" /> | |||
=== Mídia, Memória e Amnésia === | |||
Projeto desenvolvido entre 2014 e 2017, com apoio do CNPq, dedicado à análise do jornalismo e da cultura da nostalgia no mundo contemporâneo.<ref name="lattes" /> | |||
=== Mímese, paródia e dialogismo na cultura transmídia === | |||
Projeto desenvolvido entre 2014 e 2015, no âmbito das atividades do Obitel-Rio, voltado à análise de memes de telenovelas nas redes sociais brasileiras. A pesquisa examinou práticas paródicas, cultura participativa, circulação de conteúdos e interações entre fãs de telenovelas e produtores de memes.<ref name="lattes" /> | |||
=== História da Mídia e Itinerância das Imagens === | |||
Projeto desenvolvido entre 2012 e 2016, com duas vertentes principais: a pesquisa histórica sobre a imprensa brasileira e a investigação sobre o estatuto da imagem na cultura contemporânea.<ref name="lattes" /> | |||
=== Imagens televisivas de 1968 e processos históricos da televisão no Brasil e na Argentina === | |||
= | Projeto desenvolvido entre 2012 e 2014, dedicado à análise comparada da televisão no Brasil e na Argentina nos anos 1960 e 1970, com foco em imagens de massa, imagens para a massa e representações das manifestações contra as ditaduras militares.<ref name="lattes" /> | ||
=== Imprensa e mercado no Brasil: de 1945 aos anos 2000 === | |||
Projeto desenvolvido entre 2011 e 2014, centrado nas transformações do mercado jornalístico brasileiro, considerando processos de concentração, modernização e reorganização das empresas de imprensa.<ref name="lattes" /> | |||
=== A imprensa carioca nos anos 1960 e 1970 === | |||
= | Projeto desenvolvido entre 2008 e 2011, voltado à análise das transformações do jornalismo brasileiro, da concentração das empresas jornalísticas e da modernização da imprensa no Rio de Janeiro.<ref name="lattes" /> | ||
== Projeto de extensão == | |||
=== Memória do Jornalismo Brasileiro === | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o projeto de extensão ''Memória do Jornalismo Brasileiro'', vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ. O projeto busca contribuir para a formação de pesquisadores no campo da história da mídia, aproximando alunos de graduação e pós-graduação da atividade de pesquisa.<ref name="lattes" /> | |||
Uma de suas ações centrais é a constituição de um arquivo de história oral com entrevistas realizadas com profissionais da imprensa brasileira. O objetivo é produzir depoimentos sobre fatos, processos e trajetórias relevantes para a compreensão da história dos meios de comunicação jornalísticos no Brasil.<ref name="lattes" /> | |||
== Grupos e redes de pesquisa == | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o grupo de pesquisa ''Mídia, Memória e Temporalidades'', dedicado à investigação das relações entre comunicação, memória, história, nostalgia e cultura audiovisual.<ref name="lattes" /> | |||
Integra ou integrou redes de pesquisa de relevância nacional e internacional, entre elas: | |||
* Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação | |||
* Rede Latino-americana de História da Mídia | |||
* Rede Historicidades dos Processos Comunicacionais | |||
* International Media and Nostalgia Network | |||
* Obitel Brasil, Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva | |||
Sua participação nessas redes evidencia a inserção de sua produção em debates interdisciplinares sobre memória, comunicação, televisão, história, patrimônio audiovisual e temporalidades culturais.<ref name="lattes" /> | |||
== Produção bibliográfica == | |||
=== Livros autorais === | |||
* ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50''.<ref name="lattes" /> | |||
* ''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões'', em coautoria com Igor Sacramento.<ref name="lattes" /> | |||
=== Obras organizadas === | |||
* ''Mídia e Memória'', com Lúcia Ferreira.<ref name="lattes" /> | |||
* ''Comunicação e História'', com Micael Herschmann.<ref name="lattes" /> | |||
* ''Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia'', com Igor Sacramento.<ref name="lattes" /> | |||
* ''História da Televisão no Brasil'', com Igor Sacramento e Marco Roxo.<ref name="lattes" /> | |||
=== Participação em obras institucionais === | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro foi responsável pela redação do livro ''Jornal Nacional: a notícia faz história'', obra vinculada à memória institucional da televisão brasileira e à trajetória do principal telejornal da TV Globo.<ref name="lattes" /> | |||
== Artigos selecionados == | |||
{| class="wikitable sortable" | |||
! Ano !! Autoria !! Título !! Periódico / Publicação | |||
|- | |||
| 2025 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Izamara Bastos Machado; Rachel Bertol || O papel das mídias na construção de uma memória ética || ''Mídia e Cotidiano'' | |||
|- | |||
| 2023 || B. Heller; T. C. C. Neves; P. F. Perazzo; Ana Paula Goulart Ribeiro || Memórias, metáforas e imaginação em narrativas orais de história de vida || ''Matrizes'' | |||
|- | |||
| 2023 || Igor Sacramento; Luciana Heymann; Ana Paula Goulart Ribeiro || O estudo dos arquivos nas interfaces entre comunicação, história e saúde || ''RECIIS'' | |||
|- | |||
| 2023 || Ana Paula Goulart Ribeiro; André Bonsanto Dias; Flora Daemon || A responsabilidade do Grupo Folha por violação de direitos durante a ditadura: considerações sobre um itinerário de pesquisa || ''Projeto História'' | |||
|- | |||
| 2021 || Silvana Fiuza; Ana Paula Goulart Ribeiro || As vozes da memória empresarial: a experiência do Grupo Globo || ''Estudos Históricos'' | |||
|- | |||
| 2021 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol || Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado || ''Rumores'' | |||
|- | |||
| 2019 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento || O repórter e a reportagem na TV: a cobertura do atentado contra o Charlie Hebdo || ''Significação'' | |||
|- | |||
| 2019 || Izamara Bastos Machado; Wilson Couto Borges; Ana Paula Goulart Ribeiro || Saúde e memória nas páginas da Radis: o passado se faz presente || ''Mídia e Cotidiano'' | |||
|- | |||
| 2018 || Bruno Souza Leal; Ana Paula Goulart Ribeiro || Em busca do tempo e do espaço: memória, nostalgia e utopia em Westworld || ''Contracampo'' | |||
|- | |||
| 2018 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Itala Maduell Vieira || O JB é que era jornal de verdade: jornalismo, memórias e nostalgia || ''Matrizes'' | |||
|- | |||
| 2018 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais || ''E-Compós'' | |||
|- | |||
| 2017 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Gabriela Martins; Elton Antunes || Linguagem, sentido e contexto: considerações sobre comunicação e história || ''Famecos'' | |||
|- | |||
| 2016 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol Domingues || Memórias em disputa na cobertura do caso Snowden || ''Contracampo'' | |||
|- | |||
| 2015 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Nelson Werneck Sodré e a história da imprensa no Brasil || ''Intercom'' | |||
|- | |||
| 2015 || Ana Paula Goulart Ribeiro || A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas || ''Contracampo'' | |||
|- | |||
| 2009 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento; Marco Roxo || O PCB e a modernização midiática: propostas de análise das relações entre comunistas e a televisão nos anos 1970 || ''Em Questão'' | |||
|- | |||
| 2008 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Uma história da imprensa, enfim || ''Intercom'' | |||
|- | |||
| 2007 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Marialva Barbosa || Memória, relato autobiográfico e identidade institucional || ''Comunicação & Sociedade'' | |||
|- | |||
| 2006 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Danielle Brasiliense || A matança dos inocentes: questões de memória e narrativa jornalística || ''UNIrevista'' | |||
|- | |||
| 2004 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Discurso e poder: a contribuição barthesiana para os estudos de linguagem || ''Revista Brasileira de Ciências da Comunicação'' | |||
|- | |||
| 2003 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950 || ''Estudos Históricos'' | |||
|- | |||
| 2001 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Objetividade e autoridade jornalística || ''Tempo e Presença'' | |||
|- | |||
| 2000 || Ana Paula Goulart Ribeiro || A mídia e o lugar da história || ''Lugar Comum'' | |||
|- | |||
| 1999 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Jornalismo e história: ambiguidades e aparentes paradoxos || ''ECO-Pós'' | |||
|} | |||
== Orientação e formação de pesquisadores == | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação expressiva na formação de pesquisadores em Comunicação, Jornalismo, História da Mídia e Estudos da Memória. Orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado sobre temas como memória coletiva, mídia e ditadura, história do jornalismo, televisão, arquivo, imprensa, política, redes sociais, discursos midiáticos, memória institucional e cultura audiovisual.<ref name="lattes" /> | |||
Entre os temas recorrentes nas orientações estão a construção midiática da memória coletiva, os usos políticos do passado, a história da imprensa brasileira, a representação de acontecimentos históricos, a memória da ditadura, os arquivos televisivos, os discursos jornalísticos e as relações entre mídia, identidade e temporalidade.<ref name="lattes" /> | |||
== Prêmios e reconhecimentos == | |||
Em 2015, recebeu o Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, primeiro lugar na categoria Grande Prêmio de Jornalismo.<ref name="lattes" /> | |||
Também recebeu menção honrosa relacionada à orientação da tese ''Nos tempos de Dias Gomes: a trajetória de um intelectual comunista nas tramas comunicacionais'', reconhecida pela Capes.<ref name="lattes" /> | |||
== Importância para os estudos de memória == | |||
A relevância de Ana Paula Goulart Ribeiro para os estudos de memória está associada à forma como sua obra reposiciona a mídia no centro dos processos sociais de rememoração. Em vez de tratar jornais, programas televisivos, arquivos, novelas e séries apenas como fontes documentais, sua pesquisa os compreende como agentes ativos na produção de temporalidades, na configuração de sensibilidades coletivas e na disputa pública por versões legítimas do passado. | |||
Sua produção contribui para demonstrar que a memória social não se constitui apenas por monumentos, documentos oficiais ou testemunhos tradicionais, mas também por imagens televisivas, narrativas jornalísticas, arquivos audiovisuais, produtos de ficção, remakes, reprises, relatos midiáticos e formas culturais de nostalgia. Desse modo, seu trabalho amplia o entendimento da memória como fenômeno comunicacional. | |||
== Relação com a literacia da memória == | |||
Embora Ana Paula Goulart Ribeiro não esteja vinculada diretamente à formulação do conceito de ''literacia da memória'', sua produção oferece bases fundamentais para esse campo, pois evidencia que a compreensão crítica da memória mediada exige competências de leitura histórica, análise midiática e interpretação das formas narrativas pelas quais o passado é construído publicamente. | |||
Suas pesquisas sobre mídia, nostalgia, história da imprensa, televisão e usos políticos do passado permitem compreender que a literacia da memória depende da capacidade de identificar enquadramentos, silenciamentos, disputas simbólicas, estratégias narrativas e processos de legitimação presentes nos meios de comunicação. | |||
Nesse sentido, sua obra dialoga diretamente com projetos que buscam formar sujeitos capazes de interpretar criticamente as imagens, os arquivos, os discursos e as narrativas que organizam a memória coletiva nas sociedades contemporâneas. | |||
== Temas recorrentes == | |||
* memória social | |||
* memória cultural | |||
* mídia e temporalidade | |||
* história da mídia | |||
* história do jornalismo | |||
* televisão brasileira | |||
* nostalgia | |||
* cultura audiovisual | |||
* história oral | |||
* arquivo televisivo | |||
* memória institucional | |||
* ditadura militar brasileira | |||
* usos políticos do passado | |||
* cidadania e comunicação | |||
* ficção televisiva | |||
* testemunho e esquecimento | |||
* memória empresarial | |||
* cultura participativa | |||
* audiovisual e política | |||
* remakes e reprises | |||
* mercado da nostalgia | |||
== Ver também == | |||
* [[Memória]] | |||
* [[Memória coletiva]] | |||
* [[Memória cultural]] | |||
* [[Estudos da memória]] | |||
* [[História da mídia]] | |||
* [[História do jornalismo]] | |||
* [[Nostalgia]] | |||
* [[Televisão]] | |||
* [[Literacia da memória]] | |||
* [[Mídia e memória]] | |||
== Referências == | == Referências == | ||
<references/> | <references/> | ||
{| class="caixa-erro-final" | |||
|- | |||
| ⚠️ '''Encontrou algum erro ou quer reivindicar alguma informação?''' | |||
[https://seusite.org/contato Enviar solicitação] | |||
|} | |||
== Ligações externas == | |||
* [http://lattes.cnpq.br/2408262120718131 Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro] | |||
* [https://www.eco.ufrj.br/ Escola de Comunicação da UFRJ] | |||
* [https://www.ppgcom.eco.ufrj.br/ Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ] | |||
[[Categoria:Pesquisadores brasileiros]] | |||
[[Categoria:Pesquisadores em comunicação]] | |||
[[Categoria:Estudos da memória]] | |||
[[Categoria:História da mídia]] | |||
[[Categoria:História do jornalismo]] | |||
[[Categoria:Televisão brasileira]] | |||
[[Categoria:Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro]] | |||
[[Categoria:Memória e comunicação]] | |||
[[Categoria:Nostalgia]] | |||
[[Categoria:Jornalismo brasileiro]] | |||
</translate> | </translate> | ||
Edição das 12h04min de 1 de maio de 2026
| ⚠️ Nota: Este conteúdo foi parcialmente produzido com o auxílio de Inteligência Artificial. Leia nossa política de uso de IA. |
Ana Paula Goulart Ribeiro é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora brasileira da área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 2. Sua trajetória acadêmica destaca-se pela articulação entre memória, mídia, história, jornalismo, televisão, nostalgia e cultura audiovisual, com especial atenção aos modos pelos quais os meios de comunicação participam da construção social do passado, da organização das temporalidades coletivas e da produção de imaginários públicos sobre acontecimentos, instituições e experiências históricas.[1]
Sua produção acadêmica compreende livros, artigos científicos, capítulos, organização de coletâneas, projetos de pesquisa, atuação editorial e participação em redes nacionais e internacionais dedicadas aos estudos de memória, história da mídia, televisão e comunicação. Ao longo de sua carreira, consolidou-se como uma das principais pesquisadoras brasileiras na interface entre comunicação e memória, especialmente por investigar a mídia não apenas como registro de acontecimentos, mas como instância produtora de narrativas, enquadramentos e disputas simbólicas sobre o passado.[2]
| Ana Paula Goulart Ribeiro | |
|---|---|
| Arquivo:Ana Paula Goulart Ribeiro.jpg | |
| Nome completo | Ana Paula Goulart Ribeiro |
| Nome em citações | RIBEIRO, A. P. G. RIBEIRO, ANA PAULA GOULART |
| Lattes iD | 2408262120718131 |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Ocupação | Professora universitária Pesquisadora Autora Organizadora de obras acadêmicas Consultora em memória institucional |
| Área de atuação | Comunicação História da mídia Estudos da memória Jornalismo Televisão Teoria da comunicação |
| Linhas de pesquisa | Memória social Memória cultural Nostalgia História da imprensa Televisão e narrativa audiovisual Mídia e política História oral Arquivos midiáticos |
| Instituição principal | Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) |
| Unidade acadêmica | Escola de Comunicação (ECO/UFRJ) |
| Cargo atual | Professora titular |
| Vínculo | Servidora pública Dedicação exclusiva, 40h |
| Formação acadêmica | Graduação em Comunicação Social, UFF Graduação em História, UFF Mestrado em Comunicação, UFRJ Doutorado em Comunicação e Cultura, UFRJ |
| Pós-doutorado | Université de Grenoble, França Université de Lyon, França |
| Orientador | Milton José Pinto |
| Grupos de pesquisa | Mídia, Memória e Temporalidades |
| Redes acadêmicas | Rememora ReLahm Historicidades dos Processos Comunicacionais International Media and Nostalgia Network Obitel Brasil |
| Atuação institucional | UFRJ TV Globo Intercom Associação Brasileira de Memória Empresarial |
| Projetos de destaque | Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania Pantanal e o mercado da nostalgia Patologias da Memória Mundos ficcionais e representação da política |
| Obras relevantes | Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50 Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões História da Televisão no Brasil Mídia e Memória |
| Distinções | Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq, nível 2 Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, 2015 |
Biografia
Ana Paula Goulart Ribeiro construiu uma trajetória acadêmica marcada pela aproximação entre comunicação, história e memória. Sua formação inicial em Comunicação Social e História permitiu o desenvolvimento de uma perspectiva interdisciplinar voltada à análise dos processos de produção social do passado, sobretudo a partir da imprensa, da televisão, dos arquivos midiáticos e das narrativas audiovisuais.[1]
Sua obra parte de uma compreensão da mídia como agente histórico e cultural, isto é, como instância que não apenas registra acontecimentos, mas também seleciona, hierarquiza, interpreta e reinscreve fatos no espaço público. Nesse sentido, sua contribuição é relevante para os estudos da memória porque evidencia que jornais, telejornais, novelas, séries, arquivos institucionais e testemunhos audiovisuais atuam como dispositivos de mediação temporal.
Formação acadêmica
Ana Paula Goulart Ribeiro graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense em 1990 e também cursou História na mesma instituição. Essa dupla formação é decisiva para compreender sua produção posterior, pois sua obra articula métodos, questões e objetos da comunicação com problemas tradicionalmente vinculados à historiografia, como memória, temporalidade, narrativa, arquivo, testemunho e produção do sentido histórico.[1]
Em 1995, concluiu o mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico, orientada por Milton José Pinto. O trabalho já indicava uma preocupação central com a imprensa como agente de produção de inteligibilidade histórica, analisando como o jornalismo organiza acontecimentos, atribui relevância a determinados fatos e contribui para a formação de narrativas públicas sobre o presente e o passado.[1]
Em 2000, obteve o doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com a tese Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50, também sob orientação de Milton José Pinto. A pesquisa examinou a imprensa carioca, a modernização jornalística, os jornalistas, a memória e as transformações profissionais, discursivas e institucionais do campo jornalístico brasileiro.[1]
A pesquisadora realizou ainda estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, fortalecendo sua inserção internacional em debates sobre história, mídia, memória, patrimônio audiovisual, arquivos e temporalidades culturais.[1]
Trajetória acadêmica
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Desde 2003, Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolveu uma carreira acadêmica contínua até alcançar a posição de professora titular da Escola de Comunicação em 2024.[1]
Na UFRJ, exerceu atividades de ensino, pesquisa, orientação, extensão e gestão acadêmica. Coordenou o curso de Jornalismo entre 2004 e 2008, foi vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura entre 2011 e 2013 e coordenou o mesmo programa entre 2013 e 2015.[1]
Também atuou na coordenação da linha Mídia e Mediações Socioculturais, além de participar de comissões de seleção, credenciamento, recredenciamento, revalidação de diplomas e avaliação acadêmica. Essas funções evidenciam sua presença institucional na consolidação da pesquisa em Comunicação no Brasil.[1]
Docência
Na graduação, ministrou disciplinas como História do Jornalismo, História da Comunicação e Seminários de Comunicação. Na pós-graduação, sua atuação docente inclui disciplinas como Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Mídia, Memória e História, Mídia, Tempo e Memória, Televisão: Teoria e História, Audiovisual, Teoria da Linguagem e Estudos Culturais, além de cursos sobre Mikhail Bakhtin, linguagem e cultura.[1]
Essa atuação docente demonstra a coerência entre sua produção científica e sua prática formativa, pois seus cursos articulam comunicação, linguagem, história, temporalidade, memória e cultura audiovisual como dimensões centrais da análise midiática.
Atuação profissional e institucional
Memória Globo
Além da carreira universitária, Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação relevante em projetos de memória institucional e história da mídia. Desde 2003, mantém vínculo de consultoria com a TV Globo, tendo participado da coordenação do projeto Memória Globo.[1]
Nesse contexto, realizou atividades de montagem de programa de história oral, entrevistas, pesquisa histórica, redação, supervisão editorial, organização de conteúdo, supervisão de site e coordenação de equipe. Essa experiência reforça a dimensão aplicada de sua trajetória, especialmente na interface entre pesquisa acadêmica, memória institucional, história oral, arquivo audiovisual e narrativa pública sobre a televisão brasileira.[1]
Intercom e memória institucional
Entre 2014 e 2017, atuou como Diretora de Comunicação e Memória da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Desde 2017, exerce a função de coordenadora do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Memória Empresarial.[1]
Sua atuação nessas instituições reforça sua presença em debates sobre memória organizacional, memória empresarial, história da comunicação e institucionalização dos estudos de memória no campo comunicacional.
Atuação editorial
Ana Paula Goulart Ribeiro exerceu funções editoriais em periódicos acadêmicos e participou de corpos editoriais relacionados à comunicação, história da mídia e saúde. Foi editora da revista ECO-PÓS, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, e integrou ou integra periódicos como Eco-Pós, Ciberlegenda, Revista Brasileira de História da Mídia e RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde.[1]
Sua atuação editorial evidencia o papel desempenhado na circulação do conhecimento científico, na consolidação de áreas de pesquisa e na formação de comunidades acadêmicas em torno da comunicação, da história da mídia e da memória.
Áreas de pesquisa
A produção intelectual de Ana Paula Goulart Ribeiro pode ser compreendida a partir de eixos interligados que atravessam sua trajetória.
Mídia e memória
A relação entre mídia e memória constitui o eixo estruturante de sua produção. A autora investiga como os meios de comunicação participam da construção, seleção, organização e legitimação de memórias sociais, compreendendo a memória não como simples preservação do passado, mas como processo ativo, disputado e mediado por instituições, narrativas, tecnologias e práticas culturais.[2]
Nessa perspectiva, a mídia aparece como um operador de temporalidades, pois transforma acontecimentos em narrativas, seleciona marcos interpretativos, produz visibilidades e silenciamentos e interfere na maneira como grupos sociais reconhecem, disputam e atualizam o passado.
História da mídia e do jornalismo
Outro eixo decisivo é a história da imprensa e do jornalismo brasileiro. Suas pesquisas analisam a modernização da imprensa, a formação de mercados jornalísticos, a atuação de jornalistas, a história da imprensa carioca e as relações entre jornalismo, política, memória e poder.[3]
Esse campo de investigação permite compreender o jornalismo como prática social historicamente situada, atravessada por transformações técnicas, empresariais, profissionais e discursivas.
Televisão e cultura audiovisual
A televisão ocupa lugar central em sua trajetória, tanto como objeto histórico quanto como forma cultural. Suas pesquisas sobre televisão abordam testemunho, ficção televisiva, nostalgia, reprises, remakes, memória institucional, história oral e representação política.[4]
A partir dessa perspectiva, a televisão é compreendida como um espaço de produção de memória coletiva, pois suas imagens, arquivos e narrativas participam da organização pública do passado e da constituição de repertórios afetivos e culturais.
Nostalgia e temporalidades
Nos últimos anos, Ribeiro tem desenvolvido pesquisas sobre nostalgia audiovisual, mercado da nostalgia e imaginação mnemônica. Esses estudos investigam como produtos televisivos e midiáticos mobilizam referências ao passado, atualizam experiências pretéritas e produzem sentidos sociais, afetivos e políticos no presente.[5]
A nostalgia, em sua produção, não é tratada apenas como sentimento individual ou saudade de um tempo anterior, mas como operador cultural que organiza temporalidades, produz identificações coletivas e participa de disputas sobre memória, identidade e pertencimento.
Memória, política e cidadania
Parte significativa de sua produção volta-se às relações entre memória, política e cidadania, especialmente em pesquisas sobre ditadura militar, violações de direitos, responsabilidade empresarial, usos políticos do passado e representação de períodos autoritários em narrativas midiáticas.[6]
Essa linha evidencia a dimensão pública e política da memória, demonstrando que lembrar e esquecer são processos atravessados por disputas de poder, enquadramentos institucionais, interesses sociais e formas midiáticas de circulação.
Arquivos, testemunhos e história oral
A autora também trabalha com arquivos, testemunhos e relatos de vida, explorando a dimensão metodológica e epistemológica da história oral nos estudos de jornalismo, comunicação, memória e televisão.[7]
Nesse campo, sua produção contribui para pensar o testemunho não apenas como fonte de informação, mas como prática narrativa, dispositivo de memória e forma de construção de sentidos sobre a experiência histórica.
Projetos de pesquisa
Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira
Projeto iniciado em 2024, coordenado por Ana Paula Goulart Ribeiro, dedicado à análise de produtos de teleficção seriada brasileira e às formas pelas quais eles acionam a nostalgia. O projeto investiga elementos do passado mobilizados pelas narrativas, os modos de enquadramento de experiências pretéritas e os processos de subjetivação, identificação coletiva e agenciamento político produzidos pela imaginação televisual.[1]
A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania
Projeto iniciado em 2023, desenvolvido no âmbito da Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva. A proposta busca renovar o olhar sobre a ficção televisiva brasileira a partir do conceito de recurso comunicativo e da metodologia dos mapas barberianos. O projeto articula metainvestigação do conhecimento produzido pela rede e reflexão sobre a telenovela como recurso para políticas públicas, educação e cidadania.[1]
Pantanal e o mercado da nostalgia
Projeto desenvolvido entre 2022 e 2024, dedicado ao remake de Pantanal e à análise da nostalgia na teledramaturgia brasileira. A pesquisa investiga como o remake articula memória coletiva, atualização de questões sociais e cidadania, considerando temas como meio ambiente, gênero e raça.[1]
Responsabilidade de empresas sobre violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S.Paulo
Projeto realizado entre 2021 e 2023 no âmbito do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo. A pesquisa examinou responsabilidades empresariais em violações de direitos durante a ditadura brasileira, tomando o caso da Folha de S.Paulo como objeto de investigação.[1]
Archives-Médias-Images-Sociétés
Projeto internacional iniciado em 2021, financiado pelo CNRS, dedicado à pesquisa sobre arquivos, mídia, imagem e sociedade. Trata-se de uma cooperação entre grupos de pesquisa do Brasil e da França, com abordagem interdisciplinar envolvendo comunicação, história e audiovisual.[1]
Remakes, reprises e cultura da nostalgia
Projeto desenvolvido entre 2020 e 2021, voltado à análise da nostalgia audiovisual durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19. A pesquisa investigou a retomada de antigas novelas pela TV Globo, observando a aceitação do público, a circulação de produtos televisivos de arquivo e o papel da nostalgia no consumo audiovisual.[1]
Patologias da Memória: testemunhos, mídia e velhice
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2023, dedicado às representações midiáticas do esquecimento, especialmente em relação à velhice e à doença de Alzheimer. A pesquisa analisou relatos testemunhais, reportagens, livros, autobiografias e vídeos pessoais que abordam a perda de memória no mundo contemporâneo.[1]
Mundos ficcionais e representação da política
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2019, voltado à análise da representação da ditadura militar brasileira em séries da TV Globo, especialmente Anos Rebeldes e Os Dias Eram Assim. O projeto investigou imagens, discursos, enquadramentos, silenciamentos e esquecimentos produzidos por narrativas ficcionais sobre o passado recente do Brasil.[1]
#meuladojoaquina: convocações do feminino e narrativas autobiográficas na cultura participativa
Projeto desenvolvido entre 2016 e 2017, voltado à análise das narrativas autobiográficas mobilizadas por hashtags associadas à telenovela Liberdade, Liberdade. A pesquisa investigou relatos pessoais em vídeo, articulações entre narrativa ficcional e experiência social, construção de sentidos sobre o feminino e dinâmicas interacionais em redes sociais.[1]
Mídia, Memória e Amnésia
Projeto desenvolvido entre 2014 e 2017, com apoio do CNPq, dedicado à análise do jornalismo e da cultura da nostalgia no mundo contemporâneo.[1]
Mímese, paródia e dialogismo na cultura transmídia
Projeto desenvolvido entre 2014 e 2015, no âmbito das atividades do Obitel-Rio, voltado à análise de memes de telenovelas nas redes sociais brasileiras. A pesquisa examinou práticas paródicas, cultura participativa, circulação de conteúdos e interações entre fãs de telenovelas e produtores de memes.[1]
História da Mídia e Itinerância das Imagens
Projeto desenvolvido entre 2012 e 2016, com duas vertentes principais: a pesquisa histórica sobre a imprensa brasileira e a investigação sobre o estatuto da imagem na cultura contemporânea.[1]
Imagens televisivas de 1968 e processos históricos da televisão no Brasil e na Argentina
Projeto desenvolvido entre 2012 e 2014, dedicado à análise comparada da televisão no Brasil e na Argentina nos anos 1960 e 1970, com foco em imagens de massa, imagens para a massa e representações das manifestações contra as ditaduras militares.[1]
Imprensa e mercado no Brasil: de 1945 aos anos 2000
Projeto desenvolvido entre 2011 e 2014, centrado nas transformações do mercado jornalístico brasileiro, considerando processos de concentração, modernização e reorganização das empresas de imprensa.[1]
A imprensa carioca nos anos 1960 e 1970
Projeto desenvolvido entre 2008 e 2011, voltado à análise das transformações do jornalismo brasileiro, da concentração das empresas jornalísticas e da modernização da imprensa no Rio de Janeiro.[1]
Projeto de extensão
Memória do Jornalismo Brasileiro
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o projeto de extensão Memória do Jornalismo Brasileiro, vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ. O projeto busca contribuir para a formação de pesquisadores no campo da história da mídia, aproximando alunos de graduação e pós-graduação da atividade de pesquisa.[1]
Uma de suas ações centrais é a constituição de um arquivo de história oral com entrevistas realizadas com profissionais da imprensa brasileira. O objetivo é produzir depoimentos sobre fatos, processos e trajetórias relevantes para a compreensão da história dos meios de comunicação jornalísticos no Brasil.[1]
Grupos e redes de pesquisa
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o grupo de pesquisa Mídia, Memória e Temporalidades, dedicado à investigação das relações entre comunicação, memória, história, nostalgia e cultura audiovisual.[1]
Integra ou integrou redes de pesquisa de relevância nacional e internacional, entre elas:
- Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação
- Rede Latino-americana de História da Mídia
- Rede Historicidades dos Processos Comunicacionais
- International Media and Nostalgia Network
- Obitel Brasil, Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva
Sua participação nessas redes evidencia a inserção de sua produção em debates interdisciplinares sobre memória, comunicação, televisão, história, patrimônio audiovisual e temporalidades culturais.[1]
Produção bibliográfica
Livros autorais
- Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50.[1]
- Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões, em coautoria com Igor Sacramento.[1]
Obras organizadas
- Mídia e Memória, com Lúcia Ferreira.[1]
- Comunicação e História, com Micael Herschmann.[1]
- Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia, com Igor Sacramento.[1]
- História da Televisão no Brasil, com Igor Sacramento e Marco Roxo.[1]
Participação em obras institucionais
Ana Paula Goulart Ribeiro foi responsável pela redação do livro Jornal Nacional: a notícia faz história, obra vinculada à memória institucional da televisão brasileira e à trajetória do principal telejornal da TV Globo.[1]
Artigos selecionados
| Ano | Autoria | Título | Periódico / Publicação |
|---|---|---|---|
| 2025 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Izamara Bastos Machado; Rachel Bertol | O papel das mídias na construção de uma memória ética | Mídia e Cotidiano |
| 2023 | B. Heller; T. C. C. Neves; P. F. Perazzo; Ana Paula Goulart Ribeiro | Memórias, metáforas e imaginação em narrativas orais de história de vida | Matrizes |
| 2023 | Igor Sacramento; Luciana Heymann; Ana Paula Goulart Ribeiro | O estudo dos arquivos nas interfaces entre comunicação, história e saúde | RECIIS |
| 2023 | Ana Paula Goulart Ribeiro; André Bonsanto Dias; Flora Daemon | A responsabilidade do Grupo Folha por violação de direitos durante a ditadura: considerações sobre um itinerário de pesquisa | Projeto História |
| 2021 | Silvana Fiuza; Ana Paula Goulart Ribeiro | As vozes da memória empresarial: a experiência do Grupo Globo | Estudos Históricos |
| 2021 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol | Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado | Rumores |
| 2019 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento | O repórter e a reportagem na TV: a cobertura do atentado contra o Charlie Hebdo | Significação |
| 2019 | Izamara Bastos Machado; Wilson Couto Borges; Ana Paula Goulart Ribeiro | Saúde e memória nas páginas da Radis: o passado se faz presente | Mídia e Cotidiano |
| 2018 | Bruno Souza Leal; Ana Paula Goulart Ribeiro | Em busca do tempo e do espaço: memória, nostalgia e utopia em Westworld | Contracampo |
| 2018 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Itala Maduell Vieira | O JB é que era jornal de verdade: jornalismo, memórias e nostalgia | Matrizes |
| 2018 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais | E-Compós |
| 2017 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Gabriela Martins; Elton Antunes | Linguagem, sentido e contexto: considerações sobre comunicação e história | Famecos |
| 2016 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol Domingues | Memórias em disputa na cobertura do caso Snowden | Contracampo |
| 2015 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Nelson Werneck Sodré e a história da imprensa no Brasil | Intercom |
| 2015 | Ana Paula Goulart Ribeiro | A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas | Contracampo |
| 2009 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento; Marco Roxo | O PCB e a modernização midiática: propostas de análise das relações entre comunistas e a televisão nos anos 1970 | Em Questão |
| 2008 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Uma história da imprensa, enfim | Intercom |
| 2007 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Marialva Barbosa | Memória, relato autobiográfico e identidade institucional | Comunicação & Sociedade |
| 2006 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Danielle Brasiliense | A matança dos inocentes: questões de memória e narrativa jornalística | UNIrevista |
| 2004 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Discurso e poder: a contribuição barthesiana para os estudos de linguagem | Revista Brasileira de Ciências da Comunicação |
| 2003 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950 | Estudos Históricos |
| 2001 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Objetividade e autoridade jornalística | Tempo e Presença |
| 2000 | Ana Paula Goulart Ribeiro | A mídia e o lugar da história | Lugar Comum |
| 1999 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Jornalismo e história: ambiguidades e aparentes paradoxos | ECO-Pós |
Orientação e formação de pesquisadores
Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação expressiva na formação de pesquisadores em Comunicação, Jornalismo, História da Mídia e Estudos da Memória. Orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado sobre temas como memória coletiva, mídia e ditadura, história do jornalismo, televisão, arquivo, imprensa, política, redes sociais, discursos midiáticos, memória institucional e cultura audiovisual.[1]
Entre os temas recorrentes nas orientações estão a construção midiática da memória coletiva, os usos políticos do passado, a história da imprensa brasileira, a representação de acontecimentos históricos, a memória da ditadura, os arquivos televisivos, os discursos jornalísticos e as relações entre mídia, identidade e temporalidade.[1]
Prêmios e reconhecimentos
Em 2015, recebeu o Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, primeiro lugar na categoria Grande Prêmio de Jornalismo.[1]
Também recebeu menção honrosa relacionada à orientação da tese Nos tempos de Dias Gomes: a trajetória de um intelectual comunista nas tramas comunicacionais, reconhecida pela Capes.[1]
Importância para os estudos de memória
A relevância de Ana Paula Goulart Ribeiro para os estudos de memória está associada à forma como sua obra reposiciona a mídia no centro dos processos sociais de rememoração. Em vez de tratar jornais, programas televisivos, arquivos, novelas e séries apenas como fontes documentais, sua pesquisa os compreende como agentes ativos na produção de temporalidades, na configuração de sensibilidades coletivas e na disputa pública por versões legítimas do passado.
Sua produção contribui para demonstrar que a memória social não se constitui apenas por monumentos, documentos oficiais ou testemunhos tradicionais, mas também por imagens televisivas, narrativas jornalísticas, arquivos audiovisuais, produtos de ficção, remakes, reprises, relatos midiáticos e formas culturais de nostalgia. Desse modo, seu trabalho amplia o entendimento da memória como fenômeno comunicacional.
Relação com a literacia da memória
Embora Ana Paula Goulart Ribeiro não esteja vinculada diretamente à formulação do conceito de literacia da memória, sua produção oferece bases fundamentais para esse campo, pois evidencia que a compreensão crítica da memória mediada exige competências de leitura histórica, análise midiática e interpretação das formas narrativas pelas quais o passado é construído publicamente.
Suas pesquisas sobre mídia, nostalgia, história da imprensa, televisão e usos políticos do passado permitem compreender que a literacia da memória depende da capacidade de identificar enquadramentos, silenciamentos, disputas simbólicas, estratégias narrativas e processos de legitimação presentes nos meios de comunicação.
Nesse sentido, sua obra dialoga diretamente com projetos que buscam formar sujeitos capazes de interpretar criticamente as imagens, os arquivos, os discursos e as narrativas que organizam a memória coletiva nas sociedades contemporâneas.
Temas recorrentes
- memória social
- memória cultural
- mídia e temporalidade
- história da mídia
- história do jornalismo
- televisão brasileira
- nostalgia
- cultura audiovisual
- história oral
- arquivo televisivo
- memória institucional
- ditadura militar brasileira
- usos políticos do passado
- cidadania e comunicação
- ficção televisiva
- testemunho e esquecimento
- memória empresarial
- cultura participativa
- audiovisual e política
- remakes e reprises
- mercado da nostalgia
Ver também
- Memória
- Memória coletiva
- Memória cultural
- Estudos da memória
- História da mídia
- História do jornalismo
- Nostalgia
- Televisão
- Literacia da memória
- Mídia e memória
Referências
- ↑ 1,00 1,01 1,02 1,03 1,04 1,05 1,06 1,07 1,08 1,09 1,10 1,11 1,12 1,13 1,14 1,15 1,16 1,17 1,18 1,19 1,20 1,21 1,22 1,23 1,24 1,25 1,26 1,27 1,28 1,29 1,30 1,31 1,32 1,33 1,34 1,35 1,36 1,37 1,38 1,39 1,40 1,41 1,42 1,43 Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/2408262120718131.
- ↑ 2,0 2,1 RIBEIRO, Ana Paula Goulart. A mídia e o lugar da história. Lugar Comum, 2000.
- ↑ RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950. Estudos Históricos, 2003.
- ↑ RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões.
- ↑ RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais. E-Compós, 2018.
- ↑ RIBEIRO, Ana Paula Goulart; BERTOL, Rachel. Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado. Rumores, 2021.
- ↑ RIBEIRO, Ana Paula Goulart. A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas. Contracampo, 2015.
| ⚠️ Encontrou algum erro ou quer reivindicar alguma informação? |