Ana Paula Gourlart Ribeiro: mudanças entre as edições
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'''Ana Paula Goulart Ribeiro''' é | '''Ana Paula Goulart Ribeiro''' é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisadora brasileira da área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 2. Sua produção acadêmica concentra-se nas relações entre mídia, memória, história, nostalgia, jornalismo e televisão, com especial atenção aos modos pelos quais os meios de comunicação participam da construção social do passado, da organização das temporalidades coletivas e da formação de imaginários públicos sobre acontecimentos, instituições e experiências históricas. | ||
Sua trajetória articula pesquisa acadêmica, docência universitária, atuação institucional, coordenação de grupos de pesquisa e participação em redes nacionais e internacionais dedicadas à memória, à história da mídia e aos estudos de televisão. É uma das fundadoras da Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação, integra a Rede Latino-americana de História da Mídia, participa da rede Historicidades dos Processos Comunicacionais e faz parte da International Media and Nostalgia Network. | |||
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! Nome completo | ! Nome completo | ||
| Ana Paula Goulart Ribeiro | | Ana Paula Goulart Ribeiro | ||
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! Nome em citações bibliográficas | |||
| RIBEIRO, A. P. G.; RIBEIRO, Ana Paula Goulart | |||
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! Nacionalidade | ! Nacionalidade | ||
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! Ocupação | ! Ocupação | ||
| Professora universitária<br>Pesquisadora<br>Autora | | Professora universitária<br>Pesquisadora<br>Autora<br>Organizadora de obras acadêmicas | ||
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! Instituição principal | |||
| Universidade Federal do Rio de Janeiro | |||
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! | ! Unidade acadêmica | ||
| Comunicação | | Escola de Comunicação da UFRJ | ||
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! | ! Área de atuação | ||
| | | Comunicação<br>História da mídia<br>Estudos da memória<br>Jornalismo<br>Televisão | ||
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! Formação | ! Formação | ||
| Comunicação Social | | Comunicação Social, UFF<br>História, UFF<br>Mestrado em Comunicação, UFRJ<br>Doutorado em Comunicação e Cultura, UFRJ | ||
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! Principais temas | |||
| Memória<br>Nostalgia<br>História da mídia<br>Imprensa<br>Televisão<br>Temporalidades | |||
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! | ! Bolsista | ||
| | | Produtividade em Pesquisa CNPq, nível 2 | ||
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! Lattes | |||
| [http://lattes.cnpq.br/2408262120718131 2408262120718131] | |||
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== | == Formação acadêmica == | ||
Ana Paula Goulart Ribeiro formou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense em 1990 e também cursou História na mesma instituição, percurso que marcou de forma decisiva a orientação interdisciplinar de sua obra. A aproximação entre comunicação e história tornou-se um dos eixos permanentes de sua produção, permitindo que suas pesquisas tratassem os meios de comunicação não apenas como canais de circulação de informação, mas como instâncias produtoras de sentido histórico, memória social e formas públicas de interpretação do passado. | |||
Em 1995, concluiu o mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação ''A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico'', orientada por Milton José Pinto. A pesquisa já indicava uma preocupação central com o modo como a imprensa participa da construção de inteligibilidades históricas, organizando acontecimentos, enquadrando temporalidades e produzindo sentidos sobre a experiência social. | |||
Em 2000, obteve o doutorado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a tese ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50'', também sob orientação de Milton José Pinto. O trabalho abordou a imprensa carioca, a modernização do jornalismo, os jornalistas, a memória e os processos históricos vinculados à transformação do campo jornalístico brasileiro. | |||
A pesquisadora realizou ainda estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, consolidando sua inserção internacional em debates sobre história, mídia, memória, patrimônio audiovisual e temporalidades sociais. | |||
== Trajetória profissional == | |||
=== Universidade Federal do Rio de Janeiro === | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 2003. Na Escola de Comunicação da UFRJ, desenvolveu atividades de ensino, pesquisa, orientação, administração acadêmica e participação em comissões institucionais. Tornou-se professora titular em 2024, após trajetória como professora adjunta e professora associada. | |||
Na graduação, ministrou disciplinas como História do Jornalismo, História da Comunicação e Seminários de Comunicação. Na pós-graduação, sua atuação docente inclui disciplinas como Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Mídia, Memória e História, Mídia, Tempo e Memória, Televisão: Teoria e História, Audiovisual, Teoria da Linguagem e Estudos Culturais, além de cursos dedicados a Mikhail Bakhtin, linguagem e cultura. | |||
Sua atuação administrativa incluiu a coordenação do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação da UFRJ entre 2004 e 2008, a vice-coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura entre 2011 e 2013 e a coordenação do mesmo programa entre 2013 e 2015. Também coordenou a linha Mídia e Mediações Socioculturais e participou de comissões de seleção, credenciamento, recredenciamento e revalidação de diplomas. | |||
=== Atuação em memória institucional e mídia === | |||
Além da carreira universitária, Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação relevante em projetos de memória institucional e história da mídia. Desde 2003, mantém vínculo de consultoria com a TV Globo, tendo participado da coordenação do projeto Memória Globo. Nesse contexto, realizou atividades de montagem de programa de história oral, entrevistas, pesquisa histórica, redação, supervisão editorial, supervisão de site e coordenação de equipe. | |||
Essa experiência reforça uma dimensão aplicada de sua trajetória: a articulação entre pesquisa acadêmica, arquivo, história oral, memória institucional e produção pública de narrativas sobre a televisão brasileira. | |||
=== Atuação editorial e institucional === | |||
Ribeiro também exerceu funções editoriais e institucionais relevantes. Foi editora da revista ''ECO-PÓS'', vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, e integra ou integrou corpos editoriais de periódicos acadêmicos como ''Eco-Pós'', ''Ciberlegenda'', ''Revista Brasileira de História da Mídia'' e ''RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde''. | |||
Entre 2014 e 2017, atuou como Diretora de Comunicação e Memória da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Desde 2017, exerce a função de coordenadora do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Memória Empresarial. | |||
== Áreas de pesquisa == | |||
A obra de Ana Paula Goulart Ribeiro pode ser compreendida a partir de seis grandes eixos: | |||
=== Mídia e memória === | |||
A relação entre mídia e memória constitui o eixo estruturante de sua produção. A autora investiga como os meios de comunicação participam da construção, seleção, organização e legitimação de memórias sociais, compreendendo a memória não como simples preservação do passado, mas como processo ativo, disputado e mediado por instituições, narrativas, tecnologias e práticas culturais. | |||
=== História da mídia e do jornalismo === | |||
Outro eixo decisivo é a história da imprensa e do jornalismo brasileiro. Suas pesquisas analisam a modernização da imprensa, a formação de mercados jornalísticos, a atuação de jornalistas, a história da imprensa carioca e as relações entre jornalismo, política, memória e poder. | |||
=== Televisão e cultura audiovisual === | |||
A televisão ocupa lugar central em sua trajetória, tanto como objeto histórico quanto como forma cultural. Suas pesquisas sobre televisão abordam testemunho, ficção televisiva, nostalgia, reprises, remakes, memória institucional, história oral e representação política. | |||
=== Nostalgia e temporalidades === | |||
Nos últimos anos, Ribeiro tem desenvolvido pesquisas sobre nostalgia audiovisual, mercado da nostalgia e imaginação mnemônica. Esses estudos investigam como produtos televisivos e midiáticos mobilizam referências ao passado, atualizam experiências pretéritas e produzem sentidos sociais, afetivos e políticos no presente. | |||
=== Memória, política e cidadania === | |||
Parte significativa de sua produção também se volta às relações entre memória, política e cidadania, especialmente em pesquisas sobre ditadura militar, violações de direitos, responsabilidade empresarial, usos políticos do passado e representação de períodos autoritários em narrativas midiáticas. | |||
=== Arquivos, testemunhos e história oral === | |||
A autora também trabalha com arquivos, testemunhos e relatos de vida, explorando a dimensão metodológica e epistemológica da história oral nos estudos de jornalismo, comunicação, memória e televisão. | |||
== Contribuições acadêmicas == | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro contribui para a consolidação dos estudos de memória e comunicação no Brasil ao propor uma abordagem que compreende os meios como operadores fundamentais da experiência temporal. Em sua obra, jornais, televisão, arquivos, narrativas institucionais, séries, novelas, remakes e testemunhos são analisados como dispositivos que estruturam formas sociais de lembrar, esquecer, reconhecer e disputar o passado. | |||
Sua contribuição está associada a uma leitura crítica da mídia como instância de mediação histórica. Isso significa que a mídia não aparece apenas como registro de acontecimentos, mas como espaço de produção de acontecimentos memoráveis, de construção de autoridades narrativas e de organização das formas públicas de reconhecimento do passado. | |||
A pesquisadora também se destaca por aproximar estudos de jornalismo, história da mídia, televisão, memória cultural, nostalgia e cidadania, criando um campo de interlocução relevante para investigações sobre memória coletiva, cultura audiovisual, arquivos midiáticos, testemunho e disputas políticas da lembrança. | |||
== Projetos de pesquisa == | == Projetos de pesquisa == | ||
=== Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira === | |||
Projeto iniciado em 2024, coordenado por Ana Paula Goulart Ribeiro, dedicado à análise de produtos de teleficção seriada brasileira e às formas pelas quais eles acionam a nostalgia. O projeto investiga elementos do passado mobilizados pelas narrativas, os modos de enquadramento de experiências pretéritas e os processos de subjetivação, identificação coletiva e agenciamento político produzidos pela imaginação televisual. | |||
=== A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania === | |||
Projeto iniciado em 2023, desenvolvido no âmbito da Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva. A proposta busca renovar o olhar sobre a ficção televisiva brasileira a partir do conceito de recurso comunicativo e da metodologia dos mapas barberianos. O projeto articula metainvestigação do conhecimento produzido pela rede e reflexão sobre a telenovela como recurso para políticas públicas, educação e cidadania. | |||
=== Pantanal e o mercado da nostalgia === | |||
Projeto desenvolvido entre 2022 e 2024, dedicado ao remake de ''Pantanal'' e à análise da nostalgia na teledramaturgia brasileira. A pesquisa investiga como o remake articula memória coletiva, atualização de questões sociais e cidadania, considerando temas como meio ambiente, gênero e raça. | |||
=== Responsabilidade de empresas sobre violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S.Paulo === | |||
Projeto realizado entre 2021 e 2023 no âmbito do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo. A pesquisa examinou responsabilidades empresariais em violações de direitos durante a ditadura brasileira, tomando o caso da ''Folha de S.Paulo'' como objeto de investigação. | |||
=== Archives-Médias-Images-Sociétés === | |||
Projeto internacional iniciado em 2021, financiado pelo CNRS, dedicado à pesquisa sobre arquivos, mídia, imagem e sociedade. Trata-se de uma cooperação entre grupos de pesquisa do Brasil e da França, com abordagem interdisciplinar envolvendo comunicação, história e audiovisual. | |||
=== Remakes, reprises e cultura da nostalgia === | |||
Projeto desenvolvido entre 2020 e 2021, voltado à análise da nostalgia audiovisual durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19. A pesquisa investigou a retomada de antigas novelas pela TV Globo, observando a aceitação do público, a circulação de produtos televisivos de arquivo e o papel da nostalgia no consumo audiovisual. | |||
=== Patologias da Memória: testemunhos, mídia e velhice === | |||
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2023, dedicado às representações midiáticas do esquecimento, especialmente em relação à velhice e à doença de Alzheimer. A pesquisa analisou relatos testemunhais, reportagens, livros, autobiografias e vídeos pessoais que abordam a perda de memória no mundo contemporâneo. | |||
=== Mundos ficcionais e representação da política === | |||
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2019, voltado à análise da representação da ditadura militar brasileira em séries da TV Globo, especialmente ''Anos Rebeldes'' e ''Os Dias Eram Assim''. O projeto investigou imagens, discursos, enquadramentos, silenciamentos e esquecimentos produzidos por narrativas ficcionais sobre o passado recente do Brasil. | |||
=== Mídia, Memória e Amnésia === | |||
Projeto desenvolvido entre 2014 e 2017, com apoio do CNPq, dedicado à análise do jornalismo e da cultura da nostalgia no mundo contemporâneo. | |||
=== História da Mídia e Itinerância das Imagens === | |||
Projeto desenvolvido entre 2012 e 2016, com duas vertentes principais: a pesquisa histórica sobre a imprensa brasileira e a investigação sobre o estatuto da imagem na cultura contemporânea. | |||
=== Imagens televisivas de 1968 e processos históricos da televisão no Brasil e na Argentina === | |||
Projeto desenvolvido entre 2012 e 2014, dedicado à análise comparada da televisão no Brasil e na Argentina nos anos 1960 e 1970, com foco em imagens de massa, imagens para a massa e representações das manifestações contra as ditaduras militares. | |||
=== A imprensa carioca nos anos 1960 e 1970 === | |||
Projeto desenvolvido entre 2008 e 2011, voltado à análise das transformações do jornalismo brasileiro, da concentração das empresas jornalísticas e da modernização da imprensa no Rio de Janeiro. | |||
== | == Projeto de extensão == | ||
=== Memória do Jornalismo Brasileiro === | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o projeto de extensão ''Memória do Jornalismo Brasileiro'', vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ. O projeto busca contribuir para a formação de pesquisadores no campo da história da mídia, aproximando alunos de graduação e pós-graduação da atividade de pesquisa. | |||
Uma de suas ações centrais é a constituição de um arquivo de história oral com entrevistas realizadas com profissionais da imprensa brasileira. O objetivo é produzir depoimentos sobre fatos, processos e trajetórias relevantes para a compreensão da história dos meios de comunicação jornalísticos no Brasil. | |||
== | == Grupos e redes de pesquisa == | ||
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o grupo de pesquisa ''Mídia, Memória e Temporalidades'', dedicado à investigação das relações entre comunicação, memória, história, nostalgia e cultura audiovisual. | |||
Integra ou integrou redes de pesquisa de relevância nacional e internacional, entre elas: | |||
* Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação | |||
* Rede Latino-americana de História da Mídia | |||
* Rede Historicidades dos Processos Comunicacionais | |||
* International Media and Nostalgia Network | |||
* Obitel Brasil, Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva | |||
Sua participação nessas redes evidencia a inserção de sua produção em debates interdisciplinares sobre memória, comunicação, televisão, história, patrimônio audiovisual e temporalidades culturais. | |||
== Produção bibliográfica == | |||
=== Livros autorais === | |||
* ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50''. | |||
* ''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões'', em coautoria com Igor Sacramento. | |||
=== Obras organizadas === | |||
* ''Mídia e Memória'', com Lúcia Ferreira. | |||
* ''Comunicação e História'', com Micael Herschmann. | |||
* ''Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia'', com Igor Sacramento. | |||
* ''História da Televisão no Brasil'', com Igor Sacramento e Marco Roxo. | |||
=== Participação em obras institucionais === | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro foi responsável pela redação do livro ''Jornal Nacional: a notícia faz história'', obra vinculada à memória institucional da televisão brasileira e à trajetória do principal telejornal da TV Globo. | |||
== Artigos selecionados == | |||
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! Ano !! Autoria !! Título !! Periódico / Publicação | |||
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| 2025 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Izamara Bastos Machado; Rachel Bertol || O papel das mídias na construção de uma memória ética || ''Mídia e Cotidiano'' | |||
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| 2023 || B. Heller; T. C. C. Neves; P. F. Perazzo; Ana Paula Goulart Ribeiro || Memórias, metáforas e imaginação em narrativas orais de história de vida || ''Matrizes'' | |||
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| 2023 || Igor Sacramento; Luciana Heymann; Ana Paula Goulart Ribeiro || O estudo dos arquivos nas interfaces entre comunicação, história e saúde || ''RECIIS'' | |||
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| 2023 || Ana Paula Goulart Ribeiro; André Bonsanto Dias; Flora Daemon || A responsabilidade do Grupo Folha por violação de direitos durante a ditadura || ''Projeto História'' | |||
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| 2021 || Silvana Fiuza; Ana Paula Goulart Ribeiro || As vozes da memória empresarial: a experiência do Grupo Globo || ''Estudos Históricos'' | |||
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| 2021 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol || Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado || ''Rumores'' | |||
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| 2019 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento || O repórter e a reportagem na TV: a cobertura do atentado contra o Charlie Hebdo || ''Significação'' | |||
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| 2018 || Bruno Souza Leal; Ana Paula Goulart Ribeiro || Em busca do tempo e do espaço: memória, nostalgia e utopia em Westworld || ''Contracampo'' | |||
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| 2018 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Itala Maduell Vieira || O JB é que era jornal de verdade: jornalismo, memórias e nostalgia || ''Matrizes'' | |||
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| 2018 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais || ''E-Compós'' | |||
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| 2015 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Nelson Werneck Sodré e a história da imprensa no Brasil || ''Intercom'' | |||
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| 2015 || Ana Paula Goulart Ribeiro || A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas || ''Contracampo'' | |||
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| 2003 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950 || ''Estudos Históricos'' | |||
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| 2000 || Ana Paula Goulart Ribeiro || A mídia e o lugar da história || ''Lugar Comum'' | |||
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== Atuação na formação de pesquisadores == | |||
Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação expressiva na formação de pesquisadores em Comunicação, Jornalismo, História da Mídia e Estudos da Memória. Orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado sobre temas como memória coletiva, mídia e ditadura, história do jornalismo, televisão, arquivo, imprensa, política, redes sociais, discursos midiáticos, memória institucional e cultura audiovisual. | |||
Entre os temas recorrentes nas orientações estão a construção midiática da memória coletiva, os usos políticos do passado, a história da imprensa brasileira, a representação de acontecimentos históricos, a memória da ditadura, os arquivos televisivos, os discursos jornalísticos e as relações entre mídia, identidade e temporalidade. | |||
== Prêmios e reconhecimentos == | == Prêmios e reconhecimentos == | ||
Em 2015, recebeu o Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, primeiro lugar na categoria Grande Prêmio de Jornalismo. Também recebeu menção honrosa relacionada à orientação da tese ''Nos tempos de Dias Gomes: a trajetória de um intelectual comunista nas tramas comunicacionais'', reconhecida pela Capes. | |||
== Importância para os estudos de memória == | |||
A relevância de Ana Paula Goulart Ribeiro para os estudos de memória está associada à forma como sua obra reposiciona a mídia no centro dos processos sociais de rememoração. Em vez de tratar jornais, programas televisivos, arquivos, novelas e séries apenas como fontes documentais, sua pesquisa os compreende como agentes ativos na produção de temporalidades, na configuração de sensibilidades coletivas e na disputa pública por versões legítimas do passado. | |||
Sua produção contribui para demonstrar que a memória social não se constitui apenas por monumentos, documentos oficiais ou testemunhos tradicionais, mas também por imagens televisivas, narrativas jornalísticas, arquivos audiovisuais, produtos de ficção, remakes, reprises, relatos midiáticos e formas culturais de nostalgia. Desse modo, seu trabalho amplia o entendimento da memória como fenômeno comunicacional. | |||
== Relação com a literacia da memória == | |||
Embora Ana Paula Goulart Ribeiro não esteja necessariamente vinculada à formulação direta do conceito de ''literacia da memória'', sua produção oferece bases fundamentais para esse campo, pois evidencia que a compreensão crítica da memória mediada exige competências de leitura histórica, análise midiática e interpretação das formas narrativas pelas quais o passado é construído publicamente. | |||
Suas pesquisas sobre mídia, nostalgia, história da imprensa, televisão e usos políticos do passado permitem compreender que a literacia da memória depende da capacidade de identificar enquadramentos, silenciamentos, disputas simbólicas, estratégias narrativas e processos de legitimação presentes nos meios de comunicação. Nesse sentido, sua obra dialoga diretamente com projetos que buscam formar sujeitos capazes de interpretar criticamente as imagens, os arquivos, os discursos e as narrativas que organizam a memória coletiva nas sociedades contemporâneas. | |||
== Temas recorrentes == | |||
* memória social | |||
* memória cultural | |||
* mídia e temporalidade | |||
* história da mídia | |||
* história do jornalismo | |||
* televisão brasileira | |||
* nostalgia | |||
* cultura audiovisual | |||
* história oral | |||
* arquivo televisivo | |||
* memória institucional | |||
* ditadura militar brasileira | |||
* usos políticos do passado | |||
* cidadania e comunicação | |||
* ficção televisiva | |||
* testemunho e esquecimento | |||
== Ver também == | |||
* [[Memória]] | |||
* [[Memória coletiva]] | |||
* [[Memória cultural]] | |||
* [[Estudos da memória]] | |||
* [[História da mídia]] | |||
* [[Nostalgia]] | |||
* [[Televisão]] | |||
* [[Literacia da memória]] | |||
== Referências == | == Referências == | ||
* | * RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''Currículo Lattes''. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Disponível em: [http://lattes.cnpq.br/2408262120718131 http://lattes.cnpq.br/2408262120718131]. | ||
* RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50''. | |||
* RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. ''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões''. | |||
* RIBEIRO, Ana Paula Goulart; FERREIRA, Lúcia, orgs. ''Mídia e Memória''. | |||
* RIBEIRO, Ana Paula Goulart; HERSCHMANN, Micael, orgs. ''Comunicação e História''. | |||
* RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor, orgs. ''Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia''. | |||
* RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor; ROXO, Marco, orgs. ''História da Televisão no Brasil''. | |||
{| class="caixa-erro-final" | |||
|- | |||
| ⚠️ '''Encontrou algum erro ou quer reivindicar alguma informação?''' | |||
[https://seusite.org/contato Enviar solicitação] | |||
|} | |||
== Ligações externas == | |||
* [http://lattes.cnpq.br/2408262120718131 Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro] | |||
* [https://www.eco.ufrj.br/ Escola de Comunicação da UFRJ] | |||
* [https://www.ppgcom.eco.ufrj.br/ Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ] | |||
[[Categoria:Pesquisadores brasileiros]] | |||
[[Categoria:Pesquisadores em comunicação]] | [[Categoria:Pesquisadores em comunicação]] | ||
[[Categoria:Estudos da memória]] | [[Categoria:Estudos da memória]] | ||
[[Categoria:História da mídia]] | [[Categoria:História da mídia]] | ||
[[Categoria:Professores | [[Categoria:História do jornalismo]] | ||
[[Categoria: | [[Categoria:Televisão brasileira]] | ||
[[Categoria:Professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro]] | |||
[[Categoria:Memória e comunicação]] | |||
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Edição das 11h58min de 1 de maio de 2026
| ⚠️ Nota: Este conteúdo foi parcialmente produzido com o auxílio de Inteligência Artificial. Leia nossa política de uso de IA. |
Ana Paula Goulart Ribeiro é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisadora brasileira da área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 2. Sua produção acadêmica concentra-se nas relações entre mídia, memória, história, nostalgia, jornalismo e televisão, com especial atenção aos modos pelos quais os meios de comunicação participam da construção social do passado, da organização das temporalidades coletivas e da formação de imaginários públicos sobre acontecimentos, instituições e experiências históricas.
Sua trajetória articula pesquisa acadêmica, docência universitária, atuação institucional, coordenação de grupos de pesquisa e participação em redes nacionais e internacionais dedicadas à memória, à história da mídia e aos estudos de televisão. É uma das fundadoras da Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação, integra a Rede Latino-americana de História da Mídia, participa da rede Historicidades dos Processos Comunicacionais e faz parte da International Media and Nostalgia Network.
| Ana Paula Goulart Ribeiro | |
|---|---|
| Nome completo | Ana Paula Goulart Ribeiro |
| Nome em citações bibliográficas | RIBEIRO, A. P. G.; RIBEIRO, Ana Paula Goulart |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Ocupação | Professora universitária Pesquisadora Autora Organizadora de obras acadêmicas |
| Instituição principal | Universidade Federal do Rio de Janeiro |
| Unidade acadêmica | Escola de Comunicação da UFRJ |
| Área de atuação | Comunicação História da mídia Estudos da memória Jornalismo Televisão |
| Formação | Comunicação Social, UFF História, UFF Mestrado em Comunicação, UFRJ Doutorado em Comunicação e Cultura, UFRJ |
| Principais temas | Memória Nostalgia História da mídia Imprensa Televisão Temporalidades |
| Bolsista | Produtividade em Pesquisa CNPq, nível 2 |
| Lattes | 2408262120718131 |
Formação acadêmica
Ana Paula Goulart Ribeiro formou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense em 1990 e também cursou História na mesma instituição, percurso que marcou de forma decisiva a orientação interdisciplinar de sua obra. A aproximação entre comunicação e história tornou-se um dos eixos permanentes de sua produção, permitindo que suas pesquisas tratassem os meios de comunicação não apenas como canais de circulação de informação, mas como instâncias produtoras de sentido histórico, memória social e formas públicas de interpretação do passado.
Em 1995, concluiu o mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico, orientada por Milton José Pinto. A pesquisa já indicava uma preocupação central com o modo como a imprensa participa da construção de inteligibilidades históricas, organizando acontecimentos, enquadrando temporalidades e produzindo sentidos sobre a experiência social.
Em 2000, obteve o doutorado em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a tese Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50, também sob orientação de Milton José Pinto. O trabalho abordou a imprensa carioca, a modernização do jornalismo, os jornalistas, a memória e os processos históricos vinculados à transformação do campo jornalístico brasileiro.
A pesquisadora realizou ainda estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, consolidando sua inserção internacional em debates sobre história, mídia, memória, patrimônio audiovisual e temporalidades sociais.
Trajetória profissional
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro desde 2003. Na Escola de Comunicação da UFRJ, desenvolveu atividades de ensino, pesquisa, orientação, administração acadêmica e participação em comissões institucionais. Tornou-se professora titular em 2024, após trajetória como professora adjunta e professora associada.
Na graduação, ministrou disciplinas como História do Jornalismo, História da Comunicação e Seminários de Comunicação. Na pós-graduação, sua atuação docente inclui disciplinas como Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Mídia, Memória e História, Mídia, Tempo e Memória, Televisão: Teoria e História, Audiovisual, Teoria da Linguagem e Estudos Culturais, além de cursos dedicados a Mikhail Bakhtin, linguagem e cultura.
Sua atuação administrativa incluiu a coordenação do curso de Jornalismo da Escola de Comunicação da UFRJ entre 2004 e 2008, a vice-coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura entre 2011 e 2013 e a coordenação do mesmo programa entre 2013 e 2015. Também coordenou a linha Mídia e Mediações Socioculturais e participou de comissões de seleção, credenciamento, recredenciamento e revalidação de diplomas.
Atuação em memória institucional e mídia
Além da carreira universitária, Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação relevante em projetos de memória institucional e história da mídia. Desde 2003, mantém vínculo de consultoria com a TV Globo, tendo participado da coordenação do projeto Memória Globo. Nesse contexto, realizou atividades de montagem de programa de história oral, entrevistas, pesquisa histórica, redação, supervisão editorial, supervisão de site e coordenação de equipe.
Essa experiência reforça uma dimensão aplicada de sua trajetória: a articulação entre pesquisa acadêmica, arquivo, história oral, memória institucional e produção pública de narrativas sobre a televisão brasileira.
Atuação editorial e institucional
Ribeiro também exerceu funções editoriais e institucionais relevantes. Foi editora da revista ECO-PÓS, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, e integra ou integrou corpos editoriais de periódicos acadêmicos como Eco-Pós, Ciberlegenda, Revista Brasileira de História da Mídia e RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde.
Entre 2014 e 2017, atuou como Diretora de Comunicação e Memória da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Desde 2017, exerce a função de coordenadora do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Memória Empresarial.
Áreas de pesquisa
A obra de Ana Paula Goulart Ribeiro pode ser compreendida a partir de seis grandes eixos:
Mídia e memória
A relação entre mídia e memória constitui o eixo estruturante de sua produção. A autora investiga como os meios de comunicação participam da construção, seleção, organização e legitimação de memórias sociais, compreendendo a memória não como simples preservação do passado, mas como processo ativo, disputado e mediado por instituições, narrativas, tecnologias e práticas culturais.
História da mídia e do jornalismo
Outro eixo decisivo é a história da imprensa e do jornalismo brasileiro. Suas pesquisas analisam a modernização da imprensa, a formação de mercados jornalísticos, a atuação de jornalistas, a história da imprensa carioca e as relações entre jornalismo, política, memória e poder.
Televisão e cultura audiovisual
A televisão ocupa lugar central em sua trajetória, tanto como objeto histórico quanto como forma cultural. Suas pesquisas sobre televisão abordam testemunho, ficção televisiva, nostalgia, reprises, remakes, memória institucional, história oral e representação política.
Nostalgia e temporalidades
Nos últimos anos, Ribeiro tem desenvolvido pesquisas sobre nostalgia audiovisual, mercado da nostalgia e imaginação mnemônica. Esses estudos investigam como produtos televisivos e midiáticos mobilizam referências ao passado, atualizam experiências pretéritas e produzem sentidos sociais, afetivos e políticos no presente.
Memória, política e cidadania
Parte significativa de sua produção também se volta às relações entre memória, política e cidadania, especialmente em pesquisas sobre ditadura militar, violações de direitos, responsabilidade empresarial, usos políticos do passado e representação de períodos autoritários em narrativas midiáticas.
Arquivos, testemunhos e história oral
A autora também trabalha com arquivos, testemunhos e relatos de vida, explorando a dimensão metodológica e epistemológica da história oral nos estudos de jornalismo, comunicação, memória e televisão.
Contribuições acadêmicas
Ana Paula Goulart Ribeiro contribui para a consolidação dos estudos de memória e comunicação no Brasil ao propor uma abordagem que compreende os meios como operadores fundamentais da experiência temporal. Em sua obra, jornais, televisão, arquivos, narrativas institucionais, séries, novelas, remakes e testemunhos são analisados como dispositivos que estruturam formas sociais de lembrar, esquecer, reconhecer e disputar o passado.
Sua contribuição está associada a uma leitura crítica da mídia como instância de mediação histórica. Isso significa que a mídia não aparece apenas como registro de acontecimentos, mas como espaço de produção de acontecimentos memoráveis, de construção de autoridades narrativas e de organização das formas públicas de reconhecimento do passado.
A pesquisadora também se destaca por aproximar estudos de jornalismo, história da mídia, televisão, memória cultural, nostalgia e cidadania, criando um campo de interlocução relevante para investigações sobre memória coletiva, cultura audiovisual, arquivos midiáticos, testemunho e disputas políticas da lembrança.
Projetos de pesquisa
Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira
Projeto iniciado em 2024, coordenado por Ana Paula Goulart Ribeiro, dedicado à análise de produtos de teleficção seriada brasileira e às formas pelas quais eles acionam a nostalgia. O projeto investiga elementos do passado mobilizados pelas narrativas, os modos de enquadramento de experiências pretéritas e os processos de subjetivação, identificação coletiva e agenciamento político produzidos pela imaginação televisual.
A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania
Projeto iniciado em 2023, desenvolvido no âmbito da Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva. A proposta busca renovar o olhar sobre a ficção televisiva brasileira a partir do conceito de recurso comunicativo e da metodologia dos mapas barberianos. O projeto articula metainvestigação do conhecimento produzido pela rede e reflexão sobre a telenovela como recurso para políticas públicas, educação e cidadania.
Pantanal e o mercado da nostalgia
Projeto desenvolvido entre 2022 e 2024, dedicado ao remake de Pantanal e à análise da nostalgia na teledramaturgia brasileira. A pesquisa investiga como o remake articula memória coletiva, atualização de questões sociais e cidadania, considerando temas como meio ambiente, gênero e raça.
Responsabilidade de empresas sobre violações de direitos durante a Ditadura: o caso Folha de S.Paulo
Projeto realizado entre 2021 e 2023 no âmbito do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo. A pesquisa examinou responsabilidades empresariais em violações de direitos durante a ditadura brasileira, tomando o caso da Folha de S.Paulo como objeto de investigação.
Archives-Médias-Images-Sociétés
Projeto internacional iniciado em 2021, financiado pelo CNRS, dedicado à pesquisa sobre arquivos, mídia, imagem e sociedade. Trata-se de uma cooperação entre grupos de pesquisa do Brasil e da França, com abordagem interdisciplinar envolvendo comunicação, história e audiovisual.
Remakes, reprises e cultura da nostalgia
Projeto desenvolvido entre 2020 e 2021, voltado à análise da nostalgia audiovisual durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19. A pesquisa investigou a retomada de antigas novelas pela TV Globo, observando a aceitação do público, a circulação de produtos televisivos de arquivo e o papel da nostalgia no consumo audiovisual.
Patologias da Memória: testemunhos, mídia e velhice
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2023, dedicado às representações midiáticas do esquecimento, especialmente em relação à velhice e à doença de Alzheimer. A pesquisa analisou relatos testemunhais, reportagens, livros, autobiografias e vídeos pessoais que abordam a perda de memória no mundo contemporâneo.
Mundos ficcionais e representação da política
Projeto desenvolvido entre 2018 e 2019, voltado à análise da representação da ditadura militar brasileira em séries da TV Globo, especialmente Anos Rebeldes e Os Dias Eram Assim. O projeto investigou imagens, discursos, enquadramentos, silenciamentos e esquecimentos produzidos por narrativas ficcionais sobre o passado recente do Brasil.
Mídia, Memória e Amnésia
Projeto desenvolvido entre 2014 e 2017, com apoio do CNPq, dedicado à análise do jornalismo e da cultura da nostalgia no mundo contemporâneo.
História da Mídia e Itinerância das Imagens
Projeto desenvolvido entre 2012 e 2016, com duas vertentes principais: a pesquisa histórica sobre a imprensa brasileira e a investigação sobre o estatuto da imagem na cultura contemporânea.
Imagens televisivas de 1968 e processos históricos da televisão no Brasil e na Argentina
Projeto desenvolvido entre 2012 e 2014, dedicado à análise comparada da televisão no Brasil e na Argentina nos anos 1960 e 1970, com foco em imagens de massa, imagens para a massa e representações das manifestações contra as ditaduras militares.
A imprensa carioca nos anos 1960 e 1970
Projeto desenvolvido entre 2008 e 2011, voltado à análise das transformações do jornalismo brasileiro, da concentração das empresas jornalísticas e da modernização da imprensa no Rio de Janeiro.
Projeto de extensão
Memória do Jornalismo Brasileiro
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o projeto de extensão Memória do Jornalismo Brasileiro, vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ. O projeto busca contribuir para a formação de pesquisadores no campo da história da mídia, aproximando alunos de graduação e pós-graduação da atividade de pesquisa.
Uma de suas ações centrais é a constituição de um arquivo de história oral com entrevistas realizadas com profissionais da imprensa brasileira. O objetivo é produzir depoimentos sobre fatos, processos e trajetórias relevantes para a compreensão da história dos meios de comunicação jornalísticos no Brasil.
Grupos e redes de pesquisa
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o grupo de pesquisa Mídia, Memória e Temporalidades, dedicado à investigação das relações entre comunicação, memória, história, nostalgia e cultura audiovisual.
Integra ou integrou redes de pesquisa de relevância nacional e internacional, entre elas:
- Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação
- Rede Latino-americana de História da Mídia
- Rede Historicidades dos Processos Comunicacionais
- International Media and Nostalgia Network
- Obitel Brasil, Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva
Sua participação nessas redes evidencia a inserção de sua produção em debates interdisciplinares sobre memória, comunicação, televisão, história, patrimônio audiovisual e temporalidades culturais.
Produção bibliográfica
Livros autorais
- Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50.
- Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões, em coautoria com Igor Sacramento.
Obras organizadas
- Mídia e Memória, com Lúcia Ferreira.
- Comunicação e História, com Micael Herschmann.
- Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia, com Igor Sacramento.
- História da Televisão no Brasil, com Igor Sacramento e Marco Roxo.
Participação em obras institucionais
Ana Paula Goulart Ribeiro foi responsável pela redação do livro Jornal Nacional: a notícia faz história, obra vinculada à memória institucional da televisão brasileira e à trajetória do principal telejornal da TV Globo.
Artigos selecionados
| Ano | Autoria | Título | Periódico / Publicação |
|---|---|---|---|
| 2025 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Izamara Bastos Machado; Rachel Bertol | O papel das mídias na construção de uma memória ética | Mídia e Cotidiano |
| 2023 | B. Heller; T. C. C. Neves; P. F. Perazzo; Ana Paula Goulart Ribeiro | Memórias, metáforas e imaginação em narrativas orais de história de vida | Matrizes |
| 2023 | Igor Sacramento; Luciana Heymann; Ana Paula Goulart Ribeiro | O estudo dos arquivos nas interfaces entre comunicação, história e saúde | RECIIS |
| 2023 | Ana Paula Goulart Ribeiro; André Bonsanto Dias; Flora Daemon | A responsabilidade do Grupo Folha por violação de direitos durante a ditadura | Projeto História |
| 2021 | Silvana Fiuza; Ana Paula Goulart Ribeiro | As vozes da memória empresarial: a experiência do Grupo Globo | Estudos Históricos |
| 2021 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol | Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado | Rumores |
| 2019 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento | O repórter e a reportagem na TV: a cobertura do atentado contra o Charlie Hebdo | Significação |
| 2018 | Bruno Souza Leal; Ana Paula Goulart Ribeiro | Em busca do tempo e do espaço: memória, nostalgia e utopia em Westworld | Contracampo |
| 2018 | Ana Paula Goulart Ribeiro; Itala Maduell Vieira | O JB é que era jornal de verdade: jornalismo, memórias e nostalgia | Matrizes |
| 2018 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais | E-Compós |
| 2015 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Nelson Werneck Sodré e a história da imprensa no Brasil | Intercom |
| 2015 | Ana Paula Goulart Ribeiro | A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas | Contracampo |
| 2003 | Ana Paula Goulart Ribeiro | Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950 | Estudos Históricos |
| 2000 | Ana Paula Goulart Ribeiro | A mídia e o lugar da história | Lugar Comum |
Atuação na formação de pesquisadores
Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação expressiva na formação de pesquisadores em Comunicação, Jornalismo, História da Mídia e Estudos da Memória. Orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado sobre temas como memória coletiva, mídia e ditadura, história do jornalismo, televisão, arquivo, imprensa, política, redes sociais, discursos midiáticos, memória institucional e cultura audiovisual.
Entre os temas recorrentes nas orientações estão a construção midiática da memória coletiva, os usos políticos do passado, a história da imprensa brasileira, a representação de acontecimentos históricos, a memória da ditadura, os arquivos televisivos, os discursos jornalísticos e as relações entre mídia, identidade e temporalidade.
Prêmios e reconhecimentos
Em 2015, recebeu o Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, primeiro lugar na categoria Grande Prêmio de Jornalismo. Também recebeu menção honrosa relacionada à orientação da tese Nos tempos de Dias Gomes: a trajetória de um intelectual comunista nas tramas comunicacionais, reconhecida pela Capes.
Importância para os estudos de memória
A relevância de Ana Paula Goulart Ribeiro para os estudos de memória está associada à forma como sua obra reposiciona a mídia no centro dos processos sociais de rememoração. Em vez de tratar jornais, programas televisivos, arquivos, novelas e séries apenas como fontes documentais, sua pesquisa os compreende como agentes ativos na produção de temporalidades, na configuração de sensibilidades coletivas e na disputa pública por versões legítimas do passado.
Sua produção contribui para demonstrar que a memória social não se constitui apenas por monumentos, documentos oficiais ou testemunhos tradicionais, mas também por imagens televisivas, narrativas jornalísticas, arquivos audiovisuais, produtos de ficção, remakes, reprises, relatos midiáticos e formas culturais de nostalgia. Desse modo, seu trabalho amplia o entendimento da memória como fenômeno comunicacional.
Relação com a literacia da memória
Embora Ana Paula Goulart Ribeiro não esteja necessariamente vinculada à formulação direta do conceito de literacia da memória, sua produção oferece bases fundamentais para esse campo, pois evidencia que a compreensão crítica da memória mediada exige competências de leitura histórica, análise midiática e interpretação das formas narrativas pelas quais o passado é construído publicamente.
Suas pesquisas sobre mídia, nostalgia, história da imprensa, televisão e usos políticos do passado permitem compreender que a literacia da memória depende da capacidade de identificar enquadramentos, silenciamentos, disputas simbólicas, estratégias narrativas e processos de legitimação presentes nos meios de comunicação. Nesse sentido, sua obra dialoga diretamente com projetos que buscam formar sujeitos capazes de interpretar criticamente as imagens, os arquivos, os discursos e as narrativas que organizam a memória coletiva nas sociedades contemporâneas.
Temas recorrentes
- memória social
- memória cultural
- mídia e temporalidade
- história da mídia
- história do jornalismo
- televisão brasileira
- nostalgia
- cultura audiovisual
- história oral
- arquivo televisivo
- memória institucional
- ditadura militar brasileira
- usos políticos do passado
- cidadania e comunicação
- ficção televisiva
- testemunho e esquecimento
Ver também
- Memória
- Memória coletiva
- Memória cultural
- Estudos da memória
- História da mídia
- Nostalgia
- Televisão
- Literacia da memória
Referências
- RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Currículo Lattes. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/2408262120718131.
- RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50.
- RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões.
- RIBEIRO, Ana Paula Goulart; FERREIRA, Lúcia, orgs. Mídia e Memória.
- RIBEIRO, Ana Paula Goulart; HERSCHMANN, Micael, orgs. Comunicação e História.
- RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor, orgs. Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia.
- RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor; ROXO, Marco, orgs. História da Televisão no Brasil.
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