Ana Paula Gourlart Ribeiro: mudanças entre as edições

De Literacia da Memória
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'''Ana Paula Goulart Ribeiro''' é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora brasileira na área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq (nível 2), cuja trajetória acadêmica e intelectual se destaca pela consolidação de uma abordagem interdisciplinar que articula memória, mídia, história e cultura audiovisual como campos indissociáveis de análise.<ref>Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro, CNPq. :contentReference[oaicite:0]{index=0}</ref>
'''Ana Paula Goulart Ribeiro''' é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora brasileira da área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 2. Sua trajetória acadêmica destaca-se pela articulação entre memória, mídia, história, jornalismo, televisão, nostalgia e cultura audiovisual, com especial atenção aos modos pelos quais os meios de comunicação participam da construção social do passado, da organização das temporalidades coletivas e da produção de imaginários públicos sobre acontecimentos, instituições e experiências históricas.<ref name="lattes">Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. ''Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro''. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/2408262120718131.</ref>


Sua produção teórica e empírica concentra-se na investigação dos modos pelos quais os meios de comunicação operam como instâncias estruturantes da memória social, não apenas registrando acontecimentos, mas organizando temporalidades, produzindo enquadramentos narrativos e participando ativamente das disputas simbólicas em torno da definição do passado, da identidade coletiva e das formas de reconhecimento social.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''A mídia e o lugar da história''. Lugar Comum, 2000.</ref>
Sua produção acadêmica compreende livros, artigos científicos, capítulos, organização de coletâneas, projetos de pesquisa, atuação editorial e participação em redes nacionais e internacionais dedicadas aos estudos de memória, história da mídia, televisão e comunicação. Ao longo de sua carreira, consolidou-se como uma das principais pesquisadoras brasileiras na interface entre comunicação e memória, especialmente por investigar a mídia não apenas como registro de acontecimentos, mas como instância produtora de narrativas, enquadramentos e disputas simbólicas sobre o passado.<ref name="midialugar">RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''A mídia e o lugar da história''. Lugar Comum, 2000.</ref>
 
{| class="infobox-bio"
|-
! colspan="2" style="text-align:center; font-size:140%; padding:0.4em; background-color:#555; color:#fff;" | Ana Paula Goulart Ribeiro
|-
| colspan="2" class="infobox-bio-img" style="text-align:center; padding:0.5em;" | [[File:Ana_Paula_Goulart_Ribeiro.jpg|250px]]
|-
! style="text-align:left;" | Nome completo
| Ana Paula Goulart Ribeiro
|-
! style="text-align:left;" | Nome em citações
| RIBEIRO, A. P. G.<br>RIBEIRO, ANA PAULA GOULART
|-
! style="text-align:left;" | Nacionalidade
| Brasileira
|-
! style="text-align:left;" | Ocupação
| Professora universitária<br>Pesquisadora<br>Autora
|-
! style="text-align:left;" | Instituição
| Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
|-
! style="text-align:left;" | Unidade
| Escola de Comunicação (ECO/UFRJ)
|-
! style="text-align:left;" | Cargo
| Professora titular
|-
! style="text-align:left;" | Formação
| Comunicação Social, UFF<br>História, UFF<br>Mestrado em Comunicação, UFRJ<br>Doutorado em Comunicação e Cultura, UFRJ
|-
! style="text-align:left;" | Área
| Comunicação<br>História da mídia<br>Estudos da memória<br>Jornalismo<br>Televisão
|-
! style="text-align:left;" | Temas principais
| Memória social<br>Nostalgia<br>História da imprensa<br>Televisão brasileira<br>Mídia e política
|-
! style="text-align:left;" | Grupo de pesquisa
| Mídia, Memória e Temporalidades
|-
! style="text-align:left;" | Redes
| Rememora<br>ReLahm<br>IMNN<br>Obitel Brasil
|-
! style="text-align:left;" | Distinções
| Bolsista CNPq, nível 2<br>Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, 2015
|-
! style="text-align:left;" | Lattes
| [http://lattes.cnpq.br/2408262120718131 2408262120718131]
|}
 
== Biografia ==
 
Ana Paula Goulart Ribeiro construiu uma trajetória acadêmica marcada pela aproximação entre comunicação, história e memória. Sua formação inicial em Comunicação Social e História permitiu o desenvolvimento de uma perspectiva interdisciplinar voltada à análise dos processos de produção social do passado, sobretudo a partir da imprensa, da televisão, dos arquivos midiáticos e das narrativas audiovisuais.<ref name="lattes" />
 
Sua obra parte de uma compreensão da mídia como agente histórico e cultural, isto é, como instância que não apenas registra acontecimentos, mas também seleciona, hierarquiza, interpreta e reinscreve fatos no espaço público. Nesse sentido, sua contribuição é relevante para os estudos da memória porque evidencia que jornais, telejornais, novelas, séries, arquivos institucionais e testemunhos audiovisuais atuam como dispositivos de mediação temporal.


== Formação acadêmica ==
== Formação acadêmica ==


Ana Paula Goulart Ribeiro realizou sua formação inicial na Universidade Federal Fluminense, onde concluiu a graduação em Comunicação Social em 1990, tendo também cursado História, percurso que evidencia uma orientação epistemológica marcada pela convergência entre análise mediática e reflexão historiográfica.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:1]{index=1}</ref>
Ana Paula Goulart Ribeiro graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense em 1990 e também cursou História na mesma instituição. Essa dupla formação é decisiva para compreender sua produção posterior, pois sua obra articula métodos, questões e objetos da comunicação com problemas tradicionalmente vinculados à historiografia, como memória, temporalidade, narrativa, arquivo, testemunho e produção do sentido histórico.<ref name="lattes" />
 
Em 1995, concluiu o mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação ''A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico'', orientada por Milton José Pinto. O trabalho já indicava uma preocupação central com a imprensa como agente de produção de inteligibilidade histórica, analisando como o jornalismo organiza acontecimentos, atribui relevância a determinados fatos e contribui para a formação de narrativas públicas sobre o presente e o passado.<ref name="lattes" />


Essa dupla formação constitui um elemento estruturante de sua trajetória, permitindo que sua produção acadêmica se desenvolva a partir de uma compreensão ampliada da mídia como fenômeno histórico e da história como construção discursiva mediada por dispositivos comunicacionais.
Em 2000, obteve o doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com a tese ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50'', também sob orientação de Milton José Pinto. A pesquisa examinou a imprensa carioca, a modernização jornalística, os jornalistas, a memória e as transformações profissionais, discursivas e institucionais do campo jornalístico brasileiro.<ref name="lattes" />


No mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, concluído em 1995, desenvolveu a dissertação ''A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico'', na qual analisa o papel da imprensa na organização de narrativas históricas, destacando a imprensa como agente de construção de inteligibilidade temporal.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:2]{index=2}</ref>
A pesquisadora realizou ainda estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, fortalecendo sua inserção internacional em debates sobre história, mídia, memória, patrimônio audiovisual, arquivos e temporalidades culturais.<ref name="lattes" />


Em 2000, concluiu o doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com a tese ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50'', na qual examina os processos de modernização do jornalismo brasileiro, articulando dimensões econômicas, profissionais, discursivas e simbólicas na configuração do campo jornalístico.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:3]{index=3}</ref>
== Trajetória acadêmica ==


Sua formação foi ampliada por estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, inserindo sua produção em circuitos internacionais de pesquisa sobre mídia, memória e história cultural.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:4]{index=4}</ref>
=== Universidade Federal do Rio de Janeiro ===


== Trajetória acadêmica e institucional ==
Desde 2003, Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolveu uma carreira acadêmica contínua até alcançar a posição de professora titular da Escola de Comunicação em 2024.<ref name="lattes" />


Desde 2003, Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde construiu uma trajetória contínua que culmina na posição de professora titular em 2024, evidenciando reconhecimento institucional e consolidação acadêmica.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:5]{index=5}</ref>
Na UFRJ, exerceu atividades de ensino, pesquisa, orientação, extensão e gestão acadêmica. Coordenou o curso de Jornalismo entre 2004 e 2008, foi vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura entre 2011 e 2013 e coordenou o mesmo programa entre 2013 e 2015.<ref name="lattes" />


Sua atuação na UFRJ caracteriza-se por uma combinação de atividades de ensino, pesquisa, orientação e gestão acadêmica. Entre suas funções institucionais, destacam-se a coordenação do curso de Jornalismo (2004–2008) e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura (2013–2015), além da liderança de linhas de pesquisa e participação em comissões de avaliação, credenciamento e seleção.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:6]{index=6}</ref>
Também atuou na coordenação da linha Mídia e Mediações Socioculturais, além de participar de comissões de seleção, credenciamento, recredenciamento, revalidação de diplomas e avaliação acadêmica. Essas funções evidenciam sua presença institucional na consolidação da pesquisa em Comunicação no Brasil.<ref name="lattes" />


No âmbito da docência, ministra disciplinas que refletem diretamente suas áreas de investigação, incluindo História do Jornalismo, Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Televisão: teoria e história e estudos culturais, contribuindo para a formação de pesquisadores com forte base crítica e interdisciplinar.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:7]{index=7}</ref>
=== Docência ===


== Atuação profissional e articulação com o campo mediático ==
Na graduação, ministrou disciplinas como História do Jornalismo, História da Comunicação e Seminários de Comunicação. Na pós-graduação, sua atuação docente inclui disciplinas como Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Mídia, Memória e História, Mídia, Tempo e Memória, Televisão: Teoria e História, Audiovisual, Teoria da Linguagem e Estudos Culturais, além de cursos sobre Mikhail Bakhtin, linguagem e cultura.<ref name="lattes" />


Paralelamente à carreira acadêmica, Ana Paula Goulart Ribeiro desenvolve atuação relevante no campo da memória institucional e da história da mídia, especialmente por meio de sua colaboração com a TV Globo desde 2003, no âmbito do projeto Memória Globo.<ref>Currículo Lattes, CNPq. :contentReference[oaicite:8]{index=8}</ref>
Essa atuação docente demonstra a coerência entre sua produção científica e sua prática formativa, pois seus cursos articulam comunicação, linguagem, história, temporalidade, memória e cultura audiovisual como dimensões centrais da análise midiática.


Nesse contexto, desempenhou funções que incluem pesquisa histórica, realização de entrevistas, coordenação de equipes, supervisão editorial e desenvolvimento de conteúdos, contribuindo diretamente para a construção de narrativas institucionais sobre a televisão brasileira e para a preservação de acervos audiovisuais.
== Atuação profissional e institucional ==


Essa dimensão de sua trajetória evidencia a articulação entre pesquisa acadêmica e práticas de memória aplicada, especialmente no campo dos arquivos midiáticos, da história oral e da produção institucional de narrativas históricas.
=== Memória Globo ===


== Linhas de pesquisa ==
Além da carreira universitária, Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação relevante em projetos de memória institucional e história da mídia. Desde 2003, mantém vínculo de consultoria com a TV Globo, tendo participado da coordenação do projeto Memória Globo.<ref name="lattes" />


A produção intelectual de Ana Paula Goulart Ribeiro organiza-se em torno de eixos interligados:
Nesse contexto, realizou atividades de montagem de programa de história oral, entrevistas, pesquisa histórica, redação, supervisão editorial, organização de conteúdo, supervisão de site e coordenação de equipe. Essa experiência reforça a dimensão aplicada de sua trajetória, especialmente na interface entre pesquisa acadêmica, memória institucional, história oral, arquivo audiovisual e narrativa pública sobre a televisão brasileira.<ref name="lattes" />
 
=== Intercom e memória institucional ===
 
Entre 2014 e 2017, atuou como Diretora de Comunicação e Memória da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Desde 2017, exerce a função de coordenadora do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Memória Empresarial.<ref name="lattes" />
 
Sua atuação nessas instituições reforça sua presença em debates sobre memória organizacional, memória empresarial, história da comunicação e institucionalização dos estudos de memória no campo comunicacional.
 
== Atuação editorial ==
 
Ana Paula Goulart Ribeiro exerceu funções editoriais em periódicos acadêmicos e participou de corpos editoriais relacionados à comunicação, história da mídia e saúde. Foi editora da revista ''ECO-PÓS'', vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, e integrou ou integra periódicos como ''Eco-Pós'', ''Ciberlegenda'', ''Revista Brasileira de História da Mídia'' e ''RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde''.<ref name="lattes" />
 
Sua atuação editorial evidencia o papel desempenhado na circulação do conhecimento científico, na consolidação de áreas de pesquisa e na formação de comunidades acadêmicas em torno da comunicação, da história da mídia e da memória.
 
== Áreas de pesquisa ==
 
A produção intelectual de Ana Paula Goulart Ribeiro pode ser compreendida a partir de eixos interligados que atravessam sua trajetória.


=== Mídia e memória ===
=== Mídia e memória ===


Seu trabalho parte da compreensão da memória como construção social mediada, na qual os meios de comunicação desempenham papel central na seleção, organização e circulação de narrativas sobre o passado.<ref>RIBEIRO; BERTOL. ''Mídia e memória da ditadura brasileira''. 2021.</ref>
A relação entre mídia e memória constitui o eixo estruturante de sua produção. A autora investiga como os meios de comunicação participam da construção, seleção, organização e legitimação de memórias sociais, compreendendo a memória não como simples preservação do passado, mas como processo ativo, disputado e mediado por instituições, narrativas, tecnologias e práticas culturais.<ref name="midialugar" />
 
Nessa perspectiva, a mídia aparece como um operador de temporalidades, pois transforma acontecimentos em narrativas, seleciona marcos interpretativos, produz visibilidades e silenciamentos e interfere na maneira como grupos sociais reconhecem, disputam e atualizam o passado.


=== História da mídia e do jornalismo ===
=== História da mídia e do jornalismo ===


Investiga os processos históricos de constituição da imprensa brasileira, com atenção às transformações estruturais, às práticas profissionais e às relações entre mídia, poder e sociedade.
Outro eixo decisivo é a história da imprensa e do jornalismo brasileiro. Suas pesquisas analisam a modernização da imprensa, a formação de mercados jornalísticos, a atuação de jornalistas, a história da imprensa carioca e as relações entre jornalismo, política, memória e poder.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950''. Estudos Históricos, 2003.</ref>
 
Esse campo de investigação permite compreender o jornalismo como prática social historicamente situada, atravessada por transformações técnicas, empresariais, profissionais e discursivas.


=== Televisão e cultura audiovisual ===
=== Televisão e cultura audiovisual ===


Analisa a televisão como espaço privilegiado de produção de memória, explorando ficção televisiva, arquivos, testemunhos e narrativas históricas mediadas.
A televisão ocupa lugar central em sua trajetória, tanto como objeto histórico quanto como forma cultural. Suas pesquisas sobre televisão abordam testemunho, ficção televisiva, nostalgia, reprises, remakes, memória institucional, história oral e representação política.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. ''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões''.</ref>
 
A partir dessa perspectiva, a televisão é compreendida como um espaço de produção de memória coletiva, pois suas imagens, arquivos e narrativas participam da organização pública do passado e da constituição de repertórios afetivos e culturais.


=== Nostalgia e temporalidades ===
=== Nostalgia e temporalidades ===


Desenvolve pesquisas sobre nostalgia audiovisual, investigando como produtos culturais mobilizam o passado e produzem efeitos de identificação, memória e pertencimento.<ref>RIBEIRO. ''Mercado da nostalgia''. 2018.</ref>
Nos últimos anos, Ribeiro tem desenvolvido pesquisas sobre nostalgia audiovisual, mercado da nostalgia e imaginação mnemônica. Esses estudos investigam como produtos televisivos e midiáticos mobilizam referências ao passado, atualizam experiências pretéritas e produzem sentidos sociais, afetivos e políticos no presente.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais''. E-Compós, 2018.</ref>
 
A nostalgia, em sua produção, não é tratada apenas como sentimento individual ou saudade de um tempo anterior, mas como operador cultural que organiza temporalidades, produz identificações coletivas e participa de disputas sobre memória, identidade e pertencimento.


=== Memória, política e cidadania ===
=== Memória, política e cidadania ===


Examina os usos políticos da memória, especialmente em contextos de ditadura, democracia e disputas narrativas sobre o passado recente.
Parte significativa de sua produção volta-se às relações entre memória, política e cidadania, especialmente em pesquisas sobre ditadura militar, violações de direitos, responsabilidade empresarial, usos políticos do passado e representação de períodos autoritários em narrativas midiáticas.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart; BERTOL, Rachel. ''Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado''. Rumores, 2021.</ref>


== Projetos de pesquisa ==
Essa linha evidencia a dimensão pública e política da memória, demonstrando que lembrar e esquecer são processos atravessados por disputas de poder, enquadramentos institucionais, interesses sociais e formas midiáticas de circulação.


Entre seus principais projetos destacam-se:
=== Arquivos, testemunhos e história oral ===


* ''Nostalgia e Imaginação Mnemônica na Teleficção Seriada Brasileira'' (2024–)<ref>Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:9]{index=9}</ref>
A autora também trabalha com arquivos, testemunhos e relatos de vida, explorando a dimensão metodológica e epistemológica da história oral nos estudos de jornalismo, comunicação, memória e televisão.<ref>RIBEIRO, Ana Paula Goulart. ''A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas''. Contracampo, 2015.</ref>
* ''A ficção televisiva brasileira como recurso de promoção da cidadania'' (2023–)<ref>Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:10]{index=10}</ref>
* ''Pantanal e o mercado da nostalgia'' (2022–2024)<ref>Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:11]{index=11}</ref>
* ''Patologias da memória'' (2018–2023)<ref>Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:12]{index=12}</ref>
* ''Mundos ficcionais e representação da política'' (2018–2019)<ref>Currículo Lattes. :contentReference[oaicite:13]{index=13}</ref>


Esses projetos evidenciam uma abordagem consistente que compreende a mídia como agente ativo na produção da memória coletiva e na articulação entre passado, presente e futuro.
Nesse campo, sua produção contribui para pensar o testemunho não apenas como fonte de informação, mas como prática narrativa, dispositivo de memória e forma de construção de sentidos sobre a experiência histórica.


== Produção intelectual ==
== Projeto de extensão ==


A autora possui extensa produção bibliográfica, incluindo livros, artigos e coletâneas. Entre suas obras destacam-se:
=== Memória do Jornalismo Brasileiro ===


* ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50''
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o projeto de extensão ''Memória do Jornalismo Brasileiro'', vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ. O projeto busca contribuir para a formação de pesquisadores no campo da história da mídia, aproximando alunos de graduação e pós-graduação da atividade de pesquisa.<ref name="lattes" />
* ''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões''
* ''História da Televisão no Brasil''
* ''Mídia e Memória''


Seus artigos abordam temas como memória da ditadura, nostalgia audiovisual, história do jornalismo e narrativa televisiva.<ref>RIBEIRO. ''A mídia e o lugar da história''. 2000.</ref>
Uma de suas ações centrais é a constituição de um arquivo de história oral com entrevistas realizadas com profissionais da imprensa brasileira. O objetivo é produzir depoimentos sobre fatos, processos e trajetórias relevantes para a compreensão da história dos meios de comunicação jornalísticos no Brasil.<ref name="lattes" />


== Contribuições teóricas ==
== Grupos e redes de pesquisa ==


A principal contribuição de Ana Paula Goulart Ribeiro reside na consolidação de uma perspectiva que compreende a mídia como instância constitutiva da memória social. Em sua obra, os meios não são apenas suportes de registro, mas dispositivos que organizam experiências temporais, constroem narrativas históricas e participam de disputas simbólicas sobre o passado.
Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o grupo de pesquisa ''Mídia, Memória e Temporalidades'', dedicado à investigação das relações entre comunicação, memória, história, nostalgia e cultura audiovisual.<ref name="lattes" />


Sua abordagem contribui para ampliar o campo dos estudos de memória ao incorporar a análise da cultura midiática, da televisão, do jornalismo e dos arquivos audiovisuais como dimensões centrais da construção social da memória.
Integra ou integrou redes de pesquisa de relevância nacional e internacional, entre elas:
 
* Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação
* Rede Latino-americana de História da Mídia
* Rede Historicidades dos Processos Comunicacionais
* International Media and Nostalgia Network
* Obitel Brasil, Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva
 
Sua participação nessas redes evidencia a inserção de sua produção em debates interdisciplinares sobre memória, comunicação, televisão, história, patrimônio audiovisual e temporalidades culturais.<ref name="lattes" />
 
== Produção bibliográfica ==
 
=== Livros autorais ===
 
* ''Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50''.<ref name="lattes" />
* ''Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões'', em coautoria com Igor Sacramento.<ref name="lattes" />
 
=== Obras organizadas ===
 
* ''Mídia e Memória'', com Lúcia Ferreira.<ref name="lattes" />
* ''Comunicação e História'', com Micael Herschmann.<ref name="lattes" />
* ''Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia'', com Igor Sacramento.<ref name="lattes" />
* ''História da Televisão no Brasil'', com Igor Sacramento e Marco Roxo.<ref name="lattes" />
 
=== Participação em obras institucionais ===
 
Ana Paula Goulart Ribeiro foi responsável pela redação do livro ''Jornal Nacional: a notícia faz história'', obra vinculada à memória institucional da televisão brasileira e à trajetória do principal telejornal da TV Globo.<ref name="lattes" />
 
== Artigos selecionados ==
 
{| class="wikitable sortable"
! Ano !! Autoria !! Título !! Periódico / Publicação
|-
| 2025 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Izamara Bastos Machado; Rachel Bertol || O papel das mídias na construção de uma memória ética || ''Mídia e Cotidiano''
|-
| 2023 || B. Heller; T. C. C. Neves; P. F. Perazzo; Ana Paula Goulart Ribeiro || Memórias, metáforas e imaginação em narrativas orais de história de vida || ''Matrizes''
|-
| 2023 || Igor Sacramento; Luciana Heymann; Ana Paula Goulart Ribeiro || O estudo dos arquivos nas interfaces entre comunicação, história e saúde || ''RECIIS''
|-
| 2023 || Ana Paula Goulart Ribeiro; André Bonsanto Dias; Flora Daemon || A responsabilidade do Grupo Folha por violação de direitos durante a ditadura: considerações sobre um itinerário de pesquisa || ''Projeto História''
|-
| 2021 || Silvana Fiuza; Ana Paula Goulart Ribeiro || As vozes da memória empresarial: a experiência do Grupo Globo || ''Estudos Históricos''
|-
| 2021 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol || Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado || ''Rumores''
|-
| 2019 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento || O repórter e a reportagem na TV: a cobertura do atentado contra o Charlie Hebdo || ''Significação''
|-
| 2019 || Izamara Bastos Machado; Wilson Couto Borges; Ana Paula Goulart Ribeiro || Saúde e memória nas páginas da Radis: o passado se faz presente || ''Mídia e Cotidiano''
|-
| 2018 || Bruno Souza Leal; Ana Paula Goulart Ribeiro || Em busca do tempo e do espaço: memória, nostalgia e utopia em Westworld || ''Contracampo''
|-
| 2018 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Itala Maduell Vieira || O JB é que era jornal de verdade: jornalismo, memórias e nostalgia || ''Matrizes''
|-
| 2018 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais || ''E-Compós''
|-
| 2017 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Gabriela Martins; Elton Antunes || Linguagem, sentido e contexto: considerações sobre comunicação e história || ''Famecos''
|-
| 2016 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol Domingues || Memórias em disputa na cobertura do caso Snowden || ''Contracampo''
|-
| 2015 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Nelson Werneck Sodré e a história da imprensa no Brasil || ''Intercom''
|-
| 2015 || Ana Paula Goulart Ribeiro || A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas || ''Contracampo''
|-
| 2009 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento; Marco Roxo || O PCB e a modernização midiática: propostas de análise das relações entre comunistas e a televisão nos anos 1970 || ''Em Questão''
|-
| 2008 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Uma história da imprensa, enfim || ''Intercom''
|-
| 2007 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Marialva Barbosa || Memória, relato autobiográfico e identidade institucional || ''Comunicação & Sociedade''
|-
| 2006 || Ana Paula Goulart Ribeiro; Danielle Brasiliense || A matança dos inocentes: questões de memória e narrativa jornalística || ''UNIrevista''
|-
| 2004 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Discurso e poder: a contribuição barthesiana para os estudos de linguagem || ''Revista Brasileira de Ciências da Comunicação''
|-
| 2003 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950 || ''Estudos Históricos''
|-
| 2001 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Objetividade e autoridade jornalística || ''Tempo e Presença''
|-
| 2000 || Ana Paula Goulart Ribeiro || A mídia e o lugar da história || ''Lugar Comum''
|-
| 1999 || Ana Paula Goulart Ribeiro || Jornalismo e história: ambiguidades e aparentes paradoxos || ''ECO-Pós''
|}
 
== Orientação e formação de pesquisadores ==
 
Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação expressiva na formação de pesquisadores em Comunicação, Jornalismo, História da Mídia e Estudos da Memória. Orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado sobre temas como memória coletiva, mídia e ditadura, história do jornalismo, televisão, arquivo, imprensa, política, redes sociais, discursos midiáticos, memória institucional e cultura audiovisual.<ref name="lattes" />
 
Entre os temas recorrentes nas orientações estão a construção midiática da memória coletiva, os usos políticos do passado, a história da imprensa brasileira, a representação de acontecimentos históricos, a memória da ditadura, os arquivos televisivos, os discursos jornalísticos e as relações entre mídia, identidade e temporalidade.<ref name="lattes" />
 
== Prêmios e reconhecimentos ==
 
Em 2015, recebeu o Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, primeiro lugar na categoria Grande Prêmio de Jornalismo.<ref name="lattes" />
 
Também recebeu menção honrosa relacionada à orientação da tese ''Nos tempos de Dias Gomes: a trajetória de um intelectual comunista nas tramas comunicacionais'', reconhecida pela Capes.<ref name="lattes" />
 
== Importância para os estudos de memória ==
 
A relevância de Ana Paula Goulart Ribeiro para os estudos de memória está associada à forma como sua obra reposiciona a mídia no centro dos processos sociais de rememoração. Em vez de tratar jornais, programas televisivos, arquivos, novelas e séries apenas como fontes documentais, sua pesquisa os compreende como agentes ativos na produção de temporalidades, na configuração de sensibilidades coletivas e na disputa pública por versões legítimas do passado.
 
Sua produção contribui para demonstrar que a memória social não se constitui apenas por monumentos, documentos oficiais ou testemunhos tradicionais, mas também por imagens televisivas, narrativas jornalísticas, arquivos audiovisuais, produtos de ficção, remakes, reprises, relatos midiáticos e formas culturais de nostalgia. Desse modo, seu trabalho amplia o entendimento da memória como fenômeno comunicacional.
 
== Relação com a literacia da memória ==
 
Embora Ana Paula Goulart Ribeiro não esteja vinculada diretamente à formulação do conceito de ''literacia da memória'', sua produção oferece bases fundamentais para esse campo, pois evidencia que a compreensão crítica da memória mediada exige competências de leitura histórica, análise midiática e interpretação das formas narrativas pelas quais o passado é construído publicamente.
 
Suas pesquisas sobre mídia, nostalgia, história da imprensa, televisão e usos políticos do passado permitem compreender que a literacia da memória depende da capacidade de identificar enquadramentos, silenciamentos, disputas simbólicas, estratégias narrativas e processos de legitimação presentes nos meios de comunicação.
 
Nesse sentido, sua obra dialoga diretamente com projetos que buscam formar sujeitos capazes de interpretar criticamente as imagens, os arquivos, os discursos e as narrativas que organizam a memória coletiva nas sociedades contemporâneas.
 
== Temas recorrentes ==
 
* memória social
* memória cultural
* mídia e temporalidade
* história da mídia
* história do jornalismo
* televisão brasileira
* nostalgia
* cultura audiovisual
* história oral
* arquivo televisivo
* memória institucional
* ditadura militar brasileira
* usos políticos do passado
* cidadania e comunicação
* ficção televisiva
* testemunho e esquecimento
* memória empresarial
* cultura participativa
* audiovisual e política
* remakes e reprises
* mercado da nostalgia
 
== Ver também ==
 
* [[Memória]]
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* [[Estudos da memória]]
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== Ligações externas ==
* [http://lattes.cnpq.br/2408262120718131 Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro]
* [https://www.eco.ufrj.br/ Escola de Comunicação da UFRJ]
* [https://www.ppgcom.eco.ufrj.br/ Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ]
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Ana Paula Goulart Ribeiro é professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora brasileira da área de Comunicação e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 2. Sua trajetória acadêmica destaca-se pela articulação entre memória, mídia, história, jornalismo, televisão, nostalgia e cultura audiovisual, com especial atenção aos modos pelos quais os meios de comunicação participam da construção social do passado, da organização das temporalidades coletivas e da produção de imaginários públicos sobre acontecimentos, instituições e experiências históricas.[1]

Sua produção acadêmica compreende livros, artigos científicos, capítulos, organização de coletâneas, projetos de pesquisa, atuação editorial e participação em redes nacionais e internacionais dedicadas aos estudos de memória, história da mídia, televisão e comunicação. Ao longo de sua carreira, consolidou-se como uma das principais pesquisadoras brasileiras na interface entre comunicação e memória, especialmente por investigar a mídia não apenas como registro de acontecimentos, mas como instância produtora de narrativas, enquadramentos e disputas simbólicas sobre o passado.[2]

Ana Paula Goulart Ribeiro
Arquivo:Ana Paula Goulart Ribeiro.jpg
Nome completo Ana Paula Goulart Ribeiro
Nome em citações RIBEIRO, A. P. G.
RIBEIRO, ANA PAULA GOULART
Nacionalidade Brasileira
Ocupação Professora universitária
Pesquisadora
Autora
Instituição Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Unidade Escola de Comunicação (ECO/UFRJ)
Cargo Professora titular
Formação Comunicação Social, UFF
História, UFF
Mestrado em Comunicação, UFRJ
Doutorado em Comunicação e Cultura, UFRJ
Área Comunicação
História da mídia
Estudos da memória
Jornalismo
Televisão
Temas principais Memória social
Nostalgia
História da imprensa
Televisão brasileira
Mídia e política
Grupo de pesquisa Mídia, Memória e Temporalidades
Redes Rememora
ReLahm
IMNN
Obitel Brasil
Distinções Bolsista CNPq, nível 2
Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, 2015
Lattes 2408262120718131

Biografia

Ana Paula Goulart Ribeiro construiu uma trajetória acadêmica marcada pela aproximação entre comunicação, história e memória. Sua formação inicial em Comunicação Social e História permitiu o desenvolvimento de uma perspectiva interdisciplinar voltada à análise dos processos de produção social do passado, sobretudo a partir da imprensa, da televisão, dos arquivos midiáticos e das narrativas audiovisuais.[1]

Sua obra parte de uma compreensão da mídia como agente histórico e cultural, isto é, como instância que não apenas registra acontecimentos, mas também seleciona, hierarquiza, interpreta e reinscreve fatos no espaço público. Nesse sentido, sua contribuição é relevante para os estudos da memória porque evidencia que jornais, telejornais, novelas, séries, arquivos institucionais e testemunhos audiovisuais atuam como dispositivos de mediação temporal.

Formação acadêmica

Ana Paula Goulart Ribeiro graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense em 1990 e também cursou História na mesma instituição. Essa dupla formação é decisiva para compreender sua produção posterior, pois sua obra articula métodos, questões e objetos da comunicação com problemas tradicionalmente vinculados à historiografia, como memória, temporalidade, narrativa, arquivo, testemunho e produção do sentido histórico.[1]

Em 1995, concluiu o mestrado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação A história do seu tempo: a imprensa e a produção do sentido histórico, orientada por Milton José Pinto. O trabalho já indicava uma preocupação central com a imprensa como agente de produção de inteligibilidade histórica, analisando como o jornalismo organiza acontecimentos, atribui relevância a determinados fatos e contribui para a formação de narrativas públicas sobre o presente e o passado.[1]

Em 2000, obteve o doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, com a tese Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50, também sob orientação de Milton José Pinto. A pesquisa examinou a imprensa carioca, a modernização jornalística, os jornalistas, a memória e as transformações profissionais, discursivas e institucionais do campo jornalístico brasileiro.[1]

A pesquisadora realizou ainda estágios de pós-doutorado na França, na Université de Grenoble e na Universidade de Lyon, fortalecendo sua inserção internacional em debates sobre história, mídia, memória, patrimônio audiovisual, arquivos e temporalidades culturais.[1]

Trajetória acadêmica

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Desde 2003, Ana Paula Goulart Ribeiro atua na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolveu uma carreira acadêmica contínua até alcançar a posição de professora titular da Escola de Comunicação em 2024.[1]

Na UFRJ, exerceu atividades de ensino, pesquisa, orientação, extensão e gestão acadêmica. Coordenou o curso de Jornalismo entre 2004 e 2008, foi vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura entre 2011 e 2013 e coordenou o mesmo programa entre 2013 e 2015.[1]

Também atuou na coordenação da linha Mídia e Mediações Socioculturais, além de participar de comissões de seleção, credenciamento, recredenciamento, revalidação de diplomas e avaliação acadêmica. Essas funções evidenciam sua presença institucional na consolidação da pesquisa em Comunicação no Brasil.[1]

Docência

Na graduação, ministrou disciplinas como História do Jornalismo, História da Comunicação e Seminários de Comunicação. Na pós-graduação, sua atuação docente inclui disciplinas como Mídia e Memória, Mídia e Nostalgia, Mídia, Memória e História, Mídia, Tempo e Memória, Televisão: Teoria e História, Audiovisual, Teoria da Linguagem e Estudos Culturais, além de cursos sobre Mikhail Bakhtin, linguagem e cultura.[1]

Essa atuação docente demonstra a coerência entre sua produção científica e sua prática formativa, pois seus cursos articulam comunicação, linguagem, história, temporalidade, memória e cultura audiovisual como dimensões centrais da análise midiática.

Atuação profissional e institucional

Memória Globo

Além da carreira universitária, Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação relevante em projetos de memória institucional e história da mídia. Desde 2003, mantém vínculo de consultoria com a TV Globo, tendo participado da coordenação do projeto Memória Globo.[1]

Nesse contexto, realizou atividades de montagem de programa de história oral, entrevistas, pesquisa histórica, redação, supervisão editorial, organização de conteúdo, supervisão de site e coordenação de equipe. Essa experiência reforça a dimensão aplicada de sua trajetória, especialmente na interface entre pesquisa acadêmica, memória institucional, história oral, arquivo audiovisual e narrativa pública sobre a televisão brasileira.[1]

Intercom e memória institucional

Entre 2014 e 2017, atuou como Diretora de Comunicação e Memória da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. Desde 2017, exerce a função de coordenadora do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Memória Empresarial.[1]

Sua atuação nessas instituições reforça sua presença em debates sobre memória organizacional, memória empresarial, história da comunicação e institucionalização dos estudos de memória no campo comunicacional.

Atuação editorial

Ana Paula Goulart Ribeiro exerceu funções editoriais em periódicos acadêmicos e participou de corpos editoriais relacionados à comunicação, história da mídia e saúde. Foi editora da revista ECO-PÓS, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ, e integrou ou integra periódicos como Eco-Pós, Ciberlegenda, Revista Brasileira de História da Mídia e RECIIS: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde.[1]

Sua atuação editorial evidencia o papel desempenhado na circulação do conhecimento científico, na consolidação de áreas de pesquisa e na formação de comunidades acadêmicas em torno da comunicação, da história da mídia e da memória.

Áreas de pesquisa

A produção intelectual de Ana Paula Goulart Ribeiro pode ser compreendida a partir de eixos interligados que atravessam sua trajetória.

Mídia e memória

A relação entre mídia e memória constitui o eixo estruturante de sua produção. A autora investiga como os meios de comunicação participam da construção, seleção, organização e legitimação de memórias sociais, compreendendo a memória não como simples preservação do passado, mas como processo ativo, disputado e mediado por instituições, narrativas, tecnologias e práticas culturais.[2]

Nessa perspectiva, a mídia aparece como um operador de temporalidades, pois transforma acontecimentos em narrativas, seleciona marcos interpretativos, produz visibilidades e silenciamentos e interfere na maneira como grupos sociais reconhecem, disputam e atualizam o passado.

História da mídia e do jornalismo

Outro eixo decisivo é a história da imprensa e do jornalismo brasileiro. Suas pesquisas analisam a modernização da imprensa, a formação de mercados jornalísticos, a atuação de jornalistas, a história da imprensa carioca e as relações entre jornalismo, política, memória e poder.[3]

Esse campo de investigação permite compreender o jornalismo como prática social historicamente situada, atravessada por transformações técnicas, empresariais, profissionais e discursivas.

Televisão e cultura audiovisual

A televisão ocupa lugar central em sua trajetória, tanto como objeto histórico quanto como forma cultural. Suas pesquisas sobre televisão abordam testemunho, ficção televisiva, nostalgia, reprises, remakes, memória institucional, história oral e representação política.[4]

A partir dessa perspectiva, a televisão é compreendida como um espaço de produção de memória coletiva, pois suas imagens, arquivos e narrativas participam da organização pública do passado e da constituição de repertórios afetivos e culturais.

Nostalgia e temporalidades

Nos últimos anos, Ribeiro tem desenvolvido pesquisas sobre nostalgia audiovisual, mercado da nostalgia e imaginação mnemônica. Esses estudos investigam como produtos televisivos e midiáticos mobilizam referências ao passado, atualizam experiências pretéritas e produzem sentidos sociais, afetivos e políticos no presente.[5]

A nostalgia, em sua produção, não é tratada apenas como sentimento individual ou saudade de um tempo anterior, mas como operador cultural que organiza temporalidades, produz identificações coletivas e participa de disputas sobre memória, identidade e pertencimento.

Memória, política e cidadania

Parte significativa de sua produção volta-se às relações entre memória, política e cidadania, especialmente em pesquisas sobre ditadura militar, violações de direitos, responsabilidade empresarial, usos políticos do passado e representação de períodos autoritários em narrativas midiáticas.[6]

Essa linha evidencia a dimensão pública e política da memória, demonstrando que lembrar e esquecer são processos atravessados por disputas de poder, enquadramentos institucionais, interesses sociais e formas midiáticas de circulação.

Arquivos, testemunhos e história oral

A autora também trabalha com arquivos, testemunhos e relatos de vida, explorando a dimensão metodológica e epistemológica da história oral nos estudos de jornalismo, comunicação, memória e televisão.[7]

Nesse campo, sua produção contribui para pensar o testemunho não apenas como fonte de informação, mas como prática narrativa, dispositivo de memória e forma de construção de sentidos sobre a experiência histórica.

Projeto de extensão

Memória do Jornalismo Brasileiro

Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o projeto de extensão Memória do Jornalismo Brasileiro, vinculado à Escola de Comunicação da UFRJ. O projeto busca contribuir para a formação de pesquisadores no campo da história da mídia, aproximando alunos de graduação e pós-graduação da atividade de pesquisa.[1]

Uma de suas ações centrais é a constituição de um arquivo de história oral com entrevistas realizadas com profissionais da imprensa brasileira. O objetivo é produzir depoimentos sobre fatos, processos e trajetórias relevantes para a compreensão da história dos meios de comunicação jornalísticos no Brasil.[1]

Grupos e redes de pesquisa

Ana Paula Goulart Ribeiro coordena o grupo de pesquisa Mídia, Memória e Temporalidades, dedicado à investigação das relações entre comunicação, memória, história, nostalgia e cultura audiovisual.[1]

Integra ou integrou redes de pesquisa de relevância nacional e internacional, entre elas:

  • Rede Brasileira de Pesquisadores em Memória e Comunicação
  • Rede Latino-americana de História da Mídia
  • Rede Historicidades dos Processos Comunicacionais
  • International Media and Nostalgia Network
  • Obitel Brasil, Rede Brasileira de Pesquisadores de Ficção Televisiva

Sua participação nessas redes evidencia a inserção de sua produção em debates interdisciplinares sobre memória, comunicação, televisão, história, patrimônio audiovisual e temporalidades culturais.[1]

Produção bibliográfica

Livros autorais

  • Imprensa e história no Rio de Janeiro dos anos 50.[1]
  • Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões, em coautoria com Igor Sacramento.[1]

Obras organizadas

  • Mídia e Memória, com Lúcia Ferreira.[1]
  • Comunicação e História, com Micael Herschmann.[1]
  • Mikhail Bakhtin: linguagem, cultura e mídia, com Igor Sacramento.[1]
  • História da Televisão no Brasil, com Igor Sacramento e Marco Roxo.[1]

Participação em obras institucionais

Ana Paula Goulart Ribeiro foi responsável pela redação do livro Jornal Nacional: a notícia faz história, obra vinculada à memória institucional da televisão brasileira e à trajetória do principal telejornal da TV Globo.[1]

Artigos selecionados

Ano Autoria Título Periódico / Publicação
2025 Ana Paula Goulart Ribeiro; Izamara Bastos Machado; Rachel Bertol O papel das mídias na construção de uma memória ética Mídia e Cotidiano
2023 B. Heller; T. C. C. Neves; P. F. Perazzo; Ana Paula Goulart Ribeiro Memórias, metáforas e imaginação em narrativas orais de história de vida Matrizes
2023 Igor Sacramento; Luciana Heymann; Ana Paula Goulart Ribeiro O estudo dos arquivos nas interfaces entre comunicação, história e saúde RECIIS
2023 Ana Paula Goulart Ribeiro; André Bonsanto Dias; Flora Daemon A responsabilidade do Grupo Folha por violação de direitos durante a ditadura: considerações sobre um itinerário de pesquisa Projeto História
2021 Silvana Fiuza; Ana Paula Goulart Ribeiro As vozes da memória empresarial: a experiência do Grupo Globo Estudos Históricos
2021 Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado Rumores
2019 Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento O repórter e a reportagem na TV: a cobertura do atentado contra o Charlie Hebdo Significação
2019 Izamara Bastos Machado; Wilson Couto Borges; Ana Paula Goulart Ribeiro Saúde e memória nas páginas da Radis: o passado se faz presente Mídia e Cotidiano
2018 Bruno Souza Leal; Ana Paula Goulart Ribeiro Em busca do tempo e do espaço: memória, nostalgia e utopia em Westworld Contracampo
2018 Ana Paula Goulart Ribeiro; Itala Maduell Vieira O JB é que era jornal de verdade: jornalismo, memórias e nostalgia Matrizes
2018 Ana Paula Goulart Ribeiro Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais E-Compós
2017 Ana Paula Goulart Ribeiro; Gabriela Martins; Elton Antunes Linguagem, sentido e contexto: considerações sobre comunicação e história Famecos
2016 Ana Paula Goulart Ribeiro; Rachel Bertol Domingues Memórias em disputa na cobertura do caso Snowden Contracampo
2015 Ana Paula Goulart Ribeiro Nelson Werneck Sodré e a história da imprensa no Brasil Intercom
2015 Ana Paula Goulart Ribeiro A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas Contracampo
2009 Ana Paula Goulart Ribeiro; Igor Sacramento; Marco Roxo O PCB e a modernização midiática: propostas de análise das relações entre comunistas e a televisão nos anos 1970 Em Questão
2008 Ana Paula Goulart Ribeiro Uma história da imprensa, enfim Intercom
2007 Ana Paula Goulart Ribeiro; Marialva Barbosa Memória, relato autobiográfico e identidade institucional Comunicação & Sociedade
2006 Ana Paula Goulart Ribeiro; Danielle Brasiliense A matança dos inocentes: questões de memória e narrativa jornalística UNIrevista
2004 Ana Paula Goulart Ribeiro Discurso e poder: a contribuição barthesiana para os estudos de linguagem Revista Brasileira de Ciências da Comunicação
2003 Ana Paula Goulart Ribeiro Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950 Estudos Históricos
2001 Ana Paula Goulart Ribeiro Objetividade e autoridade jornalística Tempo e Presença
2000 Ana Paula Goulart Ribeiro A mídia e o lugar da história Lugar Comum
1999 Ana Paula Goulart Ribeiro Jornalismo e história: ambiguidades e aparentes paradoxos ECO-Pós

Orientação e formação de pesquisadores

Ana Paula Goulart Ribeiro possui atuação expressiva na formação de pesquisadores em Comunicação, Jornalismo, História da Mídia e Estudos da Memória. Orientou trabalhos de graduação, mestrado e doutorado sobre temas como memória coletiva, mídia e ditadura, história do jornalismo, televisão, arquivo, imprensa, política, redes sociais, discursos midiáticos, memória institucional e cultura audiovisual.[1]

Entre os temas recorrentes nas orientações estão a construção midiática da memória coletiva, os usos políticos do passado, a história da imprensa brasileira, a representação de acontecimentos históricos, a memória da ditadura, os arquivos televisivos, os discursos jornalísticos e as relações entre mídia, identidade e temporalidade.[1]

Prêmios e reconhecimentos

Em 2015, recebeu o Prêmio Globo de Jornalismo e Esporte, primeiro lugar na categoria Grande Prêmio de Jornalismo.[1]

Também recebeu menção honrosa relacionada à orientação da tese Nos tempos de Dias Gomes: a trajetória de um intelectual comunista nas tramas comunicacionais, reconhecida pela Capes.[1]

Importância para os estudos de memória

A relevância de Ana Paula Goulart Ribeiro para os estudos de memória está associada à forma como sua obra reposiciona a mídia no centro dos processos sociais de rememoração. Em vez de tratar jornais, programas televisivos, arquivos, novelas e séries apenas como fontes documentais, sua pesquisa os compreende como agentes ativos na produção de temporalidades, na configuração de sensibilidades coletivas e na disputa pública por versões legítimas do passado.

Sua produção contribui para demonstrar que a memória social não se constitui apenas por monumentos, documentos oficiais ou testemunhos tradicionais, mas também por imagens televisivas, narrativas jornalísticas, arquivos audiovisuais, produtos de ficção, remakes, reprises, relatos midiáticos e formas culturais de nostalgia. Desse modo, seu trabalho amplia o entendimento da memória como fenômeno comunicacional.

Relação com a literacia da memória

Embora Ana Paula Goulart Ribeiro não esteja vinculada diretamente à formulação do conceito de literacia da memória, sua produção oferece bases fundamentais para esse campo, pois evidencia que a compreensão crítica da memória mediada exige competências de leitura histórica, análise midiática e interpretação das formas narrativas pelas quais o passado é construído publicamente.

Suas pesquisas sobre mídia, nostalgia, história da imprensa, televisão e usos políticos do passado permitem compreender que a literacia da memória depende da capacidade de identificar enquadramentos, silenciamentos, disputas simbólicas, estratégias narrativas e processos de legitimação presentes nos meios de comunicação.

Nesse sentido, sua obra dialoga diretamente com projetos que buscam formar sujeitos capazes de interpretar criticamente as imagens, os arquivos, os discursos e as narrativas que organizam a memória coletiva nas sociedades contemporâneas.

Temas recorrentes

  • memória social
  • memória cultural
  • mídia e temporalidade
  • história da mídia
  • história do jornalismo
  • televisão brasileira
  • nostalgia
  • cultura audiovisual
  • história oral
  • arquivo televisivo
  • memória institucional
  • ditadura militar brasileira
  • usos políticos do passado
  • cidadania e comunicação
  • ficção televisiva
  • testemunho e esquecimento
  • memória empresarial
  • cultura participativa
  • audiovisual e política
  • remakes e reprises
  • mercado da nostalgia

Ver também

Referências

  1. 1,00 1,01 1,02 1,03 1,04 1,05 1,06 1,07 1,08 1,09 1,10 1,11 1,12 1,13 1,14 1,15 1,16 1,17 1,18 1,19 1,20 1,21 1,22 1,23 1,24 1,25 1,26 1,27 1,28 Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Currículo Lattes de Ana Paula Goulart Ribeiro. Disponível em: http://lattes.cnpq.br/2408262120718131.
  2. 2,0 2,1 RIBEIRO, Ana Paula Goulart. A mídia e o lugar da história. Lugar Comum, 2000.
  3. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Jornalismo, literatura e política: a modernização da imprensa carioca nos anos 1950. Estudos Históricos, 2003.
  4. RIBEIRO, Ana Paula Goulart; SACRAMENTO, Igor. Televisão e Memória: entre testemunhos e confissões.
  5. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. Mercado da nostalgia e narrativas audiovisuais. E-Compós, 2018.
  6. RIBEIRO, Ana Paula Goulart; BERTOL, Rachel. Mídia e memória da ditadura brasileira: a história e os usos políticos do passado. Rumores, 2021.
  7. RIBEIRO, Ana Paula Goulart. A história oral nos estudos de jornalismo: algumas considerações teórico-metodológicas. Contracampo, 2015.
⚠️ Encontrou algum erro ou quer reivindicar alguma informação?

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Ligações externas