Pedro Lopes

De Literacia da Memória
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Pedro Miguel Ferreira Lopes é um argumentista, produtor, docente e investigador português, associado à ficção televisiva portuguesa e ao desenvolvimento acadêmico do conceito de Literacia da memória. É licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mestre em Comunicação, Cinema e Televisão pela Universidade Católica Portuguesa e doutorando em Ciências da Comunicação no ISCTE.

Pedro Lopes
Nome completo Pedro Miguel Ferreira Lopes
Nacionalidade Portuguesa
Ocupação Argumentista
Produtor televisivo
Professor universitário
Investigador
Área Ficção audiovisual
Estudos da memória
Comunicação e media
Instituições SP Televisão
Universidade Católica Portuguesa
Escola Superior de Comunicação Social
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa
Formação Licenciatura em História (FLUL)
Mestrado em Comunicação, Cinema e Televisão (UCP)
Doutoramento em Ciências da Comunicação (ISCTE, em curso)
Conhecido por Desenvolvimento do conceito de literacia da memória
Criação de conteúdos de ficção televisiva

Desde 2007, exerce funções como Diretor de Conteúdos da SP Televisão e, desde 2022, também da SPi, sendo ainda professor na Escola Superior de Comunicação Social e na Universidade Católica Portuguesa.

Biografia

Carreira profissional

Paralelamente à carreira acadêmica, Pedro Lopes é uma figura central na indústria audiovisual portuguesa. Desde 2007, é Diretor de Conteúdos da SP Televisão e, a partir de 2022, assumiu também a direção de conteúdos da SPi. Segundo o perfil institucional da Universidade Católica Portuguesa, escreveu cerca de 40 títulos para cinema e televisão, incluindo curtas-metragens, longas-metragens, minisséries, séries e telenovelas.

Entre os seus trabalhos mais reconhecidos está Laços de Sangue, telenovela distinguida com o International Emmy Award de Melhor Telenovela em 2011 (ver vencedores). Lopes é também o criador de Glória, primeira série original portuguesa da Netflix, estreada em 2021, e de Codex 632, produção associada à RTP, Globoplay e SPi.

Percurso acadêmico

Mestrado

Pedro Lopes concluiu o mestrado em Comunicação, Cinema e Televisão na Universidade Católica Portuguesa, num contexto acadêmico marcado por uma forte articulação entre teoria dos media, estudos audiovisuais e análise das indústrias culturais, o que permitiu consolidar uma inflexão decisiva no seu percurso intelectual ao deslocar o seu interesse inicial pela historiografia para o estudo das formas mediadas de representação do passado; neste enquadramento, o mestrado funcionou como um espaço de experimentação teórica e metodológica onde se cruzam contributos dos estudos fílmicos, da narrativa televisiva e da teoria da comunicação, possibilitando a problematização da ficção audiovisual enquanto dispositivo de construção simbólica e não apenas enquanto produto de entretenimento, sendo precisamente neste momento formativo que se esboçam as bases conceptuais que mais tarde sustentariam a sua investigação doutoral, nomeadamente a compreensão de que os media participam ativamente na organização, circulação e legitimação de narrativas sobre o passado, influenciando a forma como indivíduos e comunidades constroem referências identitárias e interpretam processos históricos.

Doutorado

No âmbito do seu percurso acadêmico, Pedro Lopes desenvolve atualmente o doutoramento em Ciências da Comunicação no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, onde aprofunda de forma sistemática a articulação entre media, memória e narrativa audiovisual, tendo como eixo central a sua tese intitulada “A literacia da memória: A ficção audiovisual como historiofotia e o seu contributo para a construção da memória social”, orientada por Maria Inácia Rezola; nesta investigação, propõe uma abordagem inovadora ao compreender a ficção televisiva e cinematográfica não apenas como representação do passado, mas como agente ativo na produção de memória coletiva, mobilizando o conceito de historiofotia para analisar como as imagens em movimento constroem versões do passado que circulam socialmente e influenciam a formação de identidades e pertenças, sendo precisamente neste contexto que sistematiza o conceito de literacia da memória como uma competência crítica que permite aos indivíduos reconhecer, interpretar e questionar os processos mediáticos de construção, seleção e legitimação das narrativas históricas, inserindo o seu trabalho num campo interdisciplinar que cruza estudos da comunicação, memória cultural e cultura audiovisual contemporânea.

Principais contribuições

Literacia da memória: ficção audiovisual e o seu contributo para a construção da memória social (Artigo publicado em 2023)

Capa do artigo publicado na Revista Comunicação Pública

Literacia da memória: ficção audiovisual e o seu contributo para a construção da memória social (2023), de Pedro Lopes, constitui a primeira sistematização explícita do conceito de literacia da memória, inserindo-se no campo dos estudos da comunicação e da memória cultural ao propor que a ficção audiovisual contemporânea deve ser compreendida como um agente ativo na produção de narrativas sobre o passado; partindo da constatação de que séries televisivas e produções cinematográficas históricas assumem um papel cada vez mais central na mediação do conhecimento histórico, o autor argumenta que essas formas narrativas não apenas representam acontecimentos, como também organizam, selecionam e hierarquizam versões do passado que passam a integrar o repertório simbólico das sociedades, influenciando diretamente a forma como diferentes gerações constroem referências identitárias e percebem processos históricos.

No desenvolvimento teórico do artigo, Lopes sustenta que a memória social é um campo dinâmico, atravessado por disputas simbólicas e relações de poder, no qual a ficção audiovisual desempenha uma função estruturante ao articular emoção, narrativa e visualidade, criando experiências imersivas que favorecem a internalização de determinadas leituras do passado; é neste contexto que introduz o conceito de literacia da memória como uma competência crítica específica, que implica a capacidade de reconhecer os mecanismos de construção narrativa, identificar processos de seleção e omissão, compreender a dimensão ideológica das representações e analisar o impacto dessas narrativas na formação da memória coletiva, estabelecendo um diálogo implícito com tradições teóricas que pensam a memória como construção social e cultural, aproximando-se de debates associados a autores como Paul Ricoeur e José van Dijck, ainda que propondo uma inflexão específica centrada no papel dos media audiovisuais.

Por fim, o artigo apresenta implicações relevantes para a compreensão contemporânea da relação entre media e cidadania, ao defender que o desenvolvimento da literacia da memória se torna essencial num ecossistema mediático caracterizado pela ubiquidade das imagens e pela circulação acelerada de conteúdos, no qual as fronteiras entre ficção, história e memória se tornam progressivamente mais porosas, exigindo dos públicos não apenas competências interpretativas gerais, como também uma capacidade refinada de análise crítica das narrativas audiovisuais; neste sentido, Lopes propõe que a ficção televisiva e cinematográfica pode funcionar simultaneamente como espaço de reprodução de discursos hegemónicos e como potencial arena de questionamento e reconfiguração da memória social, colocando a literacia da memória como uma ferramenta fundamental para a formação de sujeitos críticos capazes de compreender e intervir nos processos de construção simbólica do passado nas sociedades contemporâneas..

La alfabetización de la memoria: la ficción como espacio para recordar y olvidar diferentes comunidades étnicas, sociales y económicas (Artigo publicado em 2023)

Capa do artigo publicado na Revista Comunicación & Medios

No artigo La alfabetización de la memoria: la ficción como espacio para recordar y olvidar diferentes comunidades étnicas, sociales y económicas, Pedro Lopes aprofunda e expande o conceito de literacia da memória ao deslocar o foco da análise para as dinâmicas de inclusão e exclusão que estruturam as narrativas audiovisuais contemporâneas, defendendo que a ficção não apenas constrói memória, como também opera processos seletivos que determinam quais grupos sociais são lembrados, como são representados e quais permanecem marginalizados ou invisibilizados, sendo neste quadro que o autor propõe uma leitura crítica da ficção enquanto espaço simultâneo de recordação e esquecimento, evidenciando que a memória mediada é sempre atravessada por relações de poder, por disputas simbólicas e por enquadramentos ideológicos que influenciam diretamente a forma como diferentes comunidades étnicas, sociais e económicas são inscritas no imaginário coletivo.

Ao longo do texto, Lopes analisa como as produções audiovisuais contemporâneas, especialmente séries televisivas, funcionam como dispositivos de reconfiguração da memória social ao introduzirem narrativas que podem tanto reforçar mitos nacionais e discursos dominantes quanto questioná-los ao dar visibilidade a experiências historicamente silenciadas, propondo que a literacia da memória, neste contexto, deve incluir a capacidade de identificar não apenas o que é representado, como também o que é omitido ou distorcido, exigindo uma leitura crítica que considere as condições de produção, os contextos culturais e as estratégias narrativas mobilizadas, o que aproxima a sua reflexão de debates mais amplos nos estudos de memória e media, em diálogo implícito com autores como Stuart Hall e Henry Jenkins, particularmente no que diz respeito à construção de significados e à participação dos públicos na circulação dessas narrativas.

O artigo enfatiza o papel da ficção como espaço pedagógico e político, no qual se tornam possíveis processos de reconhecimento, contestação e reinterpretação das identidades coletivas, defendendo que a alfabetização da memória implica uma consciência crítica sobre os mecanismos de produção de sentido que operam nos media e sobre os efeitos dessas representações na formação de cidadãos, especialmente em sociedades marcadas por desigualdades estruturais e por conflitos de memória, sendo neste sentido que Lopes amplia o alcance do conceito ao integrá-lo numa perspetiva que articula media, cultura e justiça social, sugerindo que o desenvolvimento desta competência crítica é fundamental para compreender como o passado é continuamente reescrito no presente através das narrativas audiovisuais e como essas narrativas podem contribuir tanto para a reprodução quanto para a transformação das hierarquias simbólicas existentes.

Temas recorrentes

  • memória cultural
  • cultura de massa
  • modernidade e esquecimento
  • urbanismo
  • mídia e representação

Artigos notáveis

Ano Autor(es) Título Revista
2023 Lopes, Pedro Literacia da memória: ficção audiovisual e o seu contributo para a construção da memória social Comunicação Pública
2023 Lopes, Pedro La alfabetización de la memoria: la ficción como espacio para recordar y olvidar diferentes comunidades étnicas, sociales y económicas Comunicación y Medios
2025 Cardoso, Gustavo; Lopes, Pedro; Rezola, Maria Inácia Literacia da memória: a ficção televisiva como espaço de formação de cidadãos politicamente conscientes MATRIZes

Principais conceitos

Referências

Referências

  • LOPES, Pedro. Literacia da memória: ficção audiovisual e o seu contributo para a construção da memória social. Comunicação Pública, 2023. [1]
  • LOPES, Pedro. La alfabetización de la memoria: la ficción como espacio para recordar y olvidar diferentes comunidades étnicas, sociales y económicas. Comunicación y Medios, 2023. [2]
  • CARDOSO, Gustavo; LOPES, Pedro; REZOLA, Maria Inácia. Literacia da memória: a ficção televisiva como espaço de formação de cidadãos politicamente conscientes. MATRIZes, 2025.
  • Universidade Católica Portuguesa. Pedro Lopes – Perfil docente. [3]
  • ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Registo de doutoramento de Pedro Lopes.
  • SP Televisão. Informação institucional. [4]


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Ligações externas