Memória coletiva: mudanças entre as edições

De Literacia da Memória
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=== Antecedentes intelectuais e sociológicos === <!--T:6-->
=== Antecedentes intelectuais e sociológicos === <!--T:6-->
A emergência do conceito de memória coletiva deve ser compreendida no contexto mais amplo da consolidação da sociologia como disciplina científica no final do século XIX e início do século XX. Antes de Maurice Halbwachs formular explicitamente a noção de memória coletiva, a memória era predominantemente tratada por tradições filosóficas, psicológicas e neurológicas como uma faculdade individual, associada à consciência, à percepção, à lembrança e à experiência subjetiva. Nesse horizonte, recordar significava, em grande medida, recuperar conteúdos armazenados na mente individual, ainda que autores como Henri Bergson já tivessem problematizado a relação entre memória, duração e experiência vivida.
A emergência do conceito de memória coletiva deve ser compreendida no contexto mais amplo da consolidação da sociologia como disciplina científica no final do século XIX e início do século XX. Antes de sua formulação por Maurice Halbwachs, a memória era predominantemente tratada por tradições filosóficas e psicológicas como uma faculdade individual, associada à consciência e à experiência subjetiva.<ref>BERGSON, Henri. ''Matéria e memória''. São Paulo: Martins Fontes, 1999.</ref> Nesse horizonte, recordar era entendido como um processo interno de recuperação de experiências.


A sociologia francesa, particularmente a tradição inaugurada por Émile Durkheim, altera esse enquadramento ao defender que os fenômenos humanos não podem ser explicados apenas por disposições individuais. A partir da noção de fato social, Durkheim afirma que a vida coletiva possui estruturas, regras, valores e formas de coerção que antecedem o indivíduo e condicionam suas práticas. Esse deslocamento é decisivo para Halbwachs, pois permite pensar a memória não como uma propriedade isolada da consciência, mas como uma prática situada em grupos, instituições e formas sociais de pertencimento.
A sociologia francesa, particularmente a tradição inaugurada por Émile Durkheim, altera esse enquadramento ao propor que os fenômenos sociais possuem existência própria e exercem coerção sobre os indivíduos.<ref>DURKHEIM, Émile. ''As regras do método sociológico''. São Paulo: Martins Fontes, 2007.</ref> Essa perspectiva permite deslocar a memória do plano individual para o coletivo, abrindo caminho para sua interpretação como fenômeno socialmente estruturado.


Nesse sentido, a memória coletiva nasce de uma tensão entre psicologia e sociologia. Halbwachs não nega que indivíduos recordem, mas argumenta que eles conseguem recordar porque estão inseridos em quadros sociais que oferecem linguagem, referências temporais, categorias espaciais, valores e esquemas interpretativos. A lembrança, portanto, não é uma simples recuperação interna do passado, mas uma reconstrução socialmente orientada. Essa formulação rompe com a ideia de uma memória puramente privada e inaugura uma leitura sociológica da recordação.
Nesse sentido, a memória coletiva emerge de uma tensão entre psicologia e sociologia. Halbwachs não nega a dimensão individual da memória, mas argumenta que ela se torna possível a partir de quadros sociais que fornecem linguagem, categorias temporais e esquemas interpretativos.<ref>HALBWACHS, Maurice. ''Les cadres sociaux de la mémoire''. Paris: Félix Alcan, 1925.</ref>


=== Contexto histórico da formulação por Halbwachs === <!--T:7-->
=== Contexto histórico da formulação por Halbwachs === <!--T:7-->
A formulação da memória coletiva por Halbwachs ocorre em um período marcado por profundas transformações sociais, políticas e culturais na Europa. As primeiras décadas do século XX foram atravessadas pela urbanização acelerada, pela reorganização das classes sociais, pela expansão dos Estados nacionais, pela consolidação das instituições modernas e, sobretudo, pelo impacto traumático da Primeira Guerra Mundial. Nesse cenário, a questão do passado coletivo tornou-se particularmente relevante, pois sociedades europeias buscavam reorganizar suas narrativas de pertencimento, seus rituais públicos e suas formas de continuidade histórica.
A formulação do conceito ocorre em um período marcado por profundas transformações sociais, incluindo urbanização, consolidação dos Estados nacionais e os efeitos da Primeira Guerra Mundial. Esse contexto intensifica a necessidade de reconstrução de identidades coletivas e de reorganização das narrativas do passado.<ref>HUTTON, Patrick. ''History as an Art of Memory''. Hanover: University Press of New England, 1993.</ref>


A obra ''Les cadres sociaux de la mémoire'', publicada em 1925, deve ser lida nesse ambiente intelectual. Halbwachs procura demonstrar que a memória não é uma faculdade autônoma do indivíduo, mas uma atividade dependente dos grupos sociais aos quais ele pertence. A família, a religião, a classe social e os grupos profissionais funcionam como estruturas que enquadram a recordação, selecionando o que pode ser lembrado, o que deve ser esquecido e de que modo o passado pode ser narrado.
Em ''Les cadres sociaux de la mémoire'' (1925), Halbwachs demonstra que a memória não é autônoma, sendo estruturada por grupos sociais como família, religião e classe.<ref>HALBWACHS, Maurice. ''Les cadres sociaux de la mémoire''. 1925.</ref> Esses grupos funcionam como sistemas de referência que orientam a recordação.
 
O conceito de quadros sociais da memória constitui, portanto, a base da teoria halbwachsiana. Esses quadros não são meros contextos externos à lembrança, mas condições de possibilidade da recordação. O indivíduo recorda a partir das categorias disponíveis em seu meio social. Mesmo lembranças aparentemente íntimas, como experiências familiares ou afetivas, são reconstruídas com base em linguagens, valores e referências compartilhadas.


=== A ruptura com a memória individual === <!--T:8-->
=== A ruptura com a memória individual === <!--T:8-->
A contribuição central de Halbwachs consiste em deslocar a memória do interior da mente individual para o campo das relações sociais. Esse deslocamento não significa afirmar que apenas os grupos lembram, mas que a lembrança individual depende de mediações coletivas. Assim, a memória deixa de ser concebida como arquivo psicológico e passa a ser entendida como uma prática de reconstrução social do passado.
A principal inovação de Halbwachs consiste em deslocar a memória do campo psicológico para o sociológico. A lembrança passa a ser entendida como reconstrução social do passado, orientada pelas necessidades do presente.<ref>HALBWACHS, Maurice. ''A memória coletiva''. São Paulo: Centauro, 2006.</ref>


Essa ruptura é importante porque permite compreender que diferentes grupos produzem diferentes memórias. Uma mesma experiência histórica pode ser lembrada de modos divergentes por classes sociais, comunidades religiosas, grupos nacionais, famílias ou movimentos políticos. A memória coletiva, nesse sentido, não é universal nem neutra, pois está sempre ligada a posições sociais e formas de pertencimento.
Essa perspectiva implica que diferentes grupos produzem diferentes memórias, evidenciando o caráter plural e situado da memória coletiva.
 
Halbwachs também introduz uma distinção importante entre memória e história. Para ele, a memória é viva, situada e mantida por grupos sociais, enquanto a história tende a operar como reconstrução abstrata, crítica e documental do passado. Essa oposição influenciou fortemente os estudos posteriores da memória, embora tenha sido amplamente criticada por autores que consideram a relação entre memória e história mais complexa e menos dicotômica.


=== Críticas ao trabalho de Halbwachs === <!--T:9-->
=== Críticas ao trabalho de Halbwachs === <!--T:9-->
Apesar de sua importância fundadora, a teoria de Halbwachs recebeu diversas críticas. Uma das principais refere-se à tendência de privilegiar a coesão social em detrimento do conflito. Como sua abordagem deriva da tradição durkheimiana, Halbwachs tende a enfatizar os mecanismos pelos quais os grupos estabilizam lembranças compartilhadas, dando menor atenção às disputas, aos apagamentos, às violências simbólicas e às memórias de grupos marginalizados.
Apesar de sua importância, a teoria de Halbwachs foi criticada por sua ênfase na coesão social. Autores posteriores argumentam que sua abordagem tende a subestimar conflitos e disputas no interior dos grupos.<ref>OLICK, Jeffrey; VINITZKY-SEROUSSI, Vered; LEVY, Daniel. ''The Collective Memory Reader''. Oxford: Oxford University Press, 2011.</ref>


Outra crítica recorrente diz respeito ao risco de homogeneizar os grupos sociais. Ao afirmar que a memória é estruturada por grupos, Halbwachs nem sempre explicita suficientemente as diferenças internas, as hierarquias e as tensões existentes dentro desses mesmos grupos. Uma família, uma classe social ou uma nação não recordam de forma uniforme. Cada grupo contém conflitos de geração, gênero, classe, raça, religião, posição política e experiência histórica.
Outra crítica refere-se à homogeneização dos grupos sociais, já que Halbwachs nem sempre considera diferenças internas como classe, gênero e poder.<ref>ERLL, Astrid. ''Memory in Culture''. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2011.</ref>


Também se critica em Halbwachs a pouca atenção às relações de poder envolvidas na construção da memória. Sua teoria explica de modo consistente como os grupos tornam a lembrança possível, mas é menos desenvolvida quando se trata de compreender quem tem autoridade para definir a versão legítima do passado. Essa lacuna será posteriormente aprofundada por autores como Michael Pollak, Pierre Nora, Paul Ricoeur, Jan Assmann, Aleida Assmann, Andreas Huyssen e Jeffrey Olick.
Além disso, a distinção entre memória e história foi problematizada por autores como Paul Ricoeur, que argumenta que ambas se entrelaçam na construção narrativa do passado.<ref>RICOEUR, Paul. ''A memória, a história, o esquecimento''. Campinas: Unicamp, 2007.</ref>


Além disso, a distinção rígida entre memória e história foi amplamente problematizada. Para Halbwachs, a memória estaria ligada à continuidade vivida dos grupos, enquanto a história começaria quando a memória social se enfraquece. Estudos posteriores demonstraram que memória e história não são esferas separadas, pois a escrita da história também participa da construção pública do passado, assim como a memória pode mobilizar documentos, arquivos e procedimentos críticos.
=== Michael Pollak e a revisão crítica === <!--T:10-->
Michael Pollak introduz uma inflexão crítica ao enfatizar as dimensões políticas da memória. Em ''Memória, esquecimento, silêncio'', o autor demonstra que o esquecimento é parte constitutiva da memória social.<ref>POLLAK, Michael. “Memória, esquecimento, silêncio”. Revista Estudos Históricos, 1989.</ref>


=== Michael Pollak e a revisão crítica da tradição halbwachsiana === <!--T:10-->
Pollak também desenvolve o conceito de memórias subterrâneas, referindo-se a lembranças de grupos marginalizados que não encontram reconhecimento institucional.<ref>POLLAK, Michael. “Memória e identidade social”. Revista Estudos Históricos, 1992.</ref>
Michael Pollak retoma a herança de Halbwachs, mas desloca sua ênfase da coesão para o conflito. Enquanto Halbwachs busca compreender como os grupos fornecem quadros para a recordação, Pollak investiga como certas memórias são reprimidas, silenciadas ou excluídas das narrativas dominantes. Sua contribuição é decisiva porque introduz no debate a questão das memórias subterrâneas, isto é, memórias de grupos que não encontram reconhecimento nas versões oficiais do passado.


Em ''Memória, esquecimento, silêncio'', Pollak demonstra que o silêncio não deve ser interpretado apenas como ausência de memória, mas como resultado de condições sociais específicas. Grupos perseguidos, traumatizados ou marginalizados podem silenciar suas experiências por medo, vergonha, impossibilidade de escuta pública ou ausência de reconhecimento institucional. A memória coletiva, portanto, não é apenas aquilo que uma sociedade decide lembrar, mas também aquilo que ela impede, dificulta ou demora a reconhecer.
Essa abordagem desloca o foco da coesão para o conflito, evidenciando que a memória coletiva é um campo de disputa simbólica.


A partir de Pollak, a memória coletiva passa a ser compreendida de maneira mais política. O passado torna-se um campo de disputa no qual diferentes grupos lutam pelo reconhecimento de suas experiências. Essa perspectiva permite analisar memórias de sobreviventes, minorias étnicas, vítimas de regimes autoritários, migrantes, comunidades racializadas e sujeitos historicamente excluídos dos arquivos oficiais.
=== Expansão contemporânea === <!--T:11-->
A partir da década de 1980, o conceito é ampliado por diferentes autores. Pierre Nora introduz os lugares de memória como formas de cristalização simbólica do passado.<ref>NORA, Pierre. “Entre memória e história: a problemática dos lugares”. 1984.</ref>


=== Da memória coletiva aos estudos contemporâneos da memória === <!--T:11-->
Jan Assmann propõe a distinção entre memória comunicativa e memória cultural, ampliando a análise para formas institucionalizadas de memória.<ref>ASSMANN, Jan. “Collective Memory and Cultural Identity”. New German Critique, 1995.</ref>
A partir das críticas e ampliações posteriores, o conceito de memória coletiva deixou de designar apenas a memória compartilhada por grupos relativamente estáveis e passou a incluir processos complexos de mediação, disputa, institucionalização e circulação cultural. Pierre Nora, por exemplo, deslocou o debate para os lugares de memória, mostrando como monumentos, arquivos, museus, datas comemorativas e símbolos nacionais condensam formas de relação com o passado.


Jan Assmann e Aleida Assmann ampliaram a discussão ao diferenciar memória comunicativa e memória cultural. A primeira refere-se às lembranças transmitidas nas relações cotidianas entre gerações próximas; a segunda envolve suportes mais duradouros, como textos, rituais, imagens, arquivos, monumentos e instituições. Essa distinção permitiu compreender como certas memórias ultrapassam a experiência direta dos indivíduos e se estabilizam em formas culturais de longa duração.
Estudos mais recentes destacam o papel da mediação cultural e digital na construção da memória coletiva.<ref>HOSKINS, Andrew. ''Digital Memory Studies''. Routledge, 2018.</ref>
 
Nos estudos contemporâneos, autores como Astrid Erll, Jeffrey Olick, Andreas Huyssen e Andrew Hoskins demonstram que a memória coletiva não pode ser compreendida sem considerar os meios de comunicação, as tecnologias digitais e os regimes de circulação pública do passado. A memória passa a ser analisada como prática cultural, discursiva e mediada, produzida em redes, plataformas, arquivos digitais, filmes, séries, museus, redes sociais e disputas algorítmicas de visibilidade.
 
Desse modo, a genealogia do conceito revela um movimento teórico de expansão: de uma sociologia dos quadros sociais da memória, em Halbwachs, para uma teoria crítica das disputas, silêncios e mediações da memória, em Pollak e autores posteriores. A memória coletiva deixa de ser apenas uma categoria explicativa da coesão social e passa a ser compreendida como campo de conflito, negociação, reconhecimento e produção simbólica do passado.


== Maurice Halbwachs: fundamentos teóricos == <!--T:9-->
== Maurice Halbwachs: fundamentos teóricos == <!--T:9-->
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== Michael Pollak: crítica e complexificação == <!--T:14-->
== Michael Pollak: crítica e complexificação == <!--T:14-->


=== Memória e poder === <!--T:15-->
=== Deslocamento teórico em relação a Halbwachs === <!--T:15-->
[[Michael Pollak]] desloca o foco da coesão para o conflito, demonstrando que a memória coletiva é atravessada por relações de poder.
A contribuição de [[Michael Pollak]] insere-se em um movimento de revisão crítica da tradição inaugurada por Maurice Halbwachs, especialmente no que se refere à ênfase na coesão social. Enquanto Halbwachs privilegia os quadros sociais como estruturas que tornam a memória possível, Pollak desloca a análise para os processos de tensão, conflito e exclusão que atravessam a construção das lembranças coletivas.<ref>POLLAK, Michael. “Memória, esquecimento, silêncio”. ''Revista Estudos Históricos'', 1989.</ref>
 
Esse deslocamento implica uma mudança epistemológica relevante: a memória deixa de ser compreendida apenas como um mecanismo de integração social e passa a ser analisada como um campo de disputas simbólicas, no qual diferentes grupos competem pela legitimação de suas narrativas sobre o passado. Nesse sentido, Pollak não rejeita Halbwachs, mas complexifica sua teoria ao introduzir variáveis relacionadas ao poder, à marginalização e à desigualdade.
 
=== Memória, esquecimento e silêncio === <!--T:16-->
Um dos eixos centrais da abordagem de Pollak é a articulação entre memória e esquecimento. Em contraste com concepções que tratam o esquecimento como falha ou ausência, Pollak argumenta que ele constitui um elemento estruturante da memória coletiva. O que uma sociedade recorda está diretamente ligado ao que ela escolhe, consciente ou inconscientemente, silenciar.<ref>POLLAK, Michael. “Memória, esquecimento, silêncio”. 1989.</ref>
 
O silêncio, nesse contexto, não deve ser interpretado apenas como ausência de discurso, mas como resultado de condições sociais específicas. Grupos que vivenciaram experiências traumáticas, como perseguições políticas, violência estatal ou exclusão social, frequentemente enfrentam obstáculos para narrar suas memórias, seja por medo, seja pela ausência de reconhecimento público. O silêncio, portanto, pode funcionar tanto como mecanismo de proteção quanto como efeito de dominação simbólica.
 
=== Memórias subterrâneas e marginalização === <!--T:17-->
A partir dessa perspectiva, Pollak introduz o conceito de '''memórias subterrâneas''', referindo-se a lembranças que permanecem fora das narrativas oficiais. Essas memórias são frequentemente associadas a grupos subalternos, como minorias étnicas, sobreviventes de regimes autoritários, populações deslocadas e sujeitos historicamente marginalizados.<ref>POLLAK, Michael. “Memória e identidade social”. ''Revista Estudos Históricos'', 1992.</ref>
 
As memórias subterrâneas não desaparecem, mas circulam em espaços informais, como relatos orais, testemunhos e práticas culturais não institucionalizadas. Sua existência evidencia que a memória coletiva não é homogênea, sendo composta por camadas visíveis e invisíveis, reconhecidas e silenciadas.
 
=== Memória e identidade social === <!--T:18-->
Pollak também enfatiza a relação entre memória e identidade, argumentando que a construção do passado desempenha papel central na definição de pertencimentos sociais. A memória coletiva não apenas organiza o passado, mas contribui para a formação de identidades individuais e coletivas, estabelecendo fronteiras simbólicas entre grupos.<ref>POLLAK, Michael. “Memória e identidade social”. 1992.</ref>
 
Nesse sentido, a memória é inseparável de processos de reconhecimento social. A possibilidade de narrar o passado e ter essa narrativa legitimada constitui um elemento fundamental na afirmação de identidades, especialmente em contextos marcados por desigualdades e exclusões.


=== Esquecimento e silêncio === <!--T:16-->
=== Metodologia e história oral === <!--T:19-->
Pollak introduz a ideia de que o esquecimento é constitutivo da memória. Certas experiências são deliberadamente excluídas das narrativas sociais.
Do ponto de vista metodológico, Pollak atribui centralidade à história oral como instrumento de investigação da memória coletiva. Ao privilegiar entrevistas, testemunhos e narrativas biográficas, o autor busca acessar dimensões da experiência que não são registradas em documentos oficiais.<ref>THOMPSON, Paul. ''The Voice of the Past''. Oxford: Oxford University Press, 2000.</ref>


=== Memórias subterrâneas === <!--T:17-->
Essa abordagem permite evidenciar a pluralidade das memórias e revelar tensões entre versões oficiais e experiências vividas. A história oral, nesse contexto, não é apenas uma técnica de coleta de dados, mas uma estratégia teórica para problematizar a relação entre memória, poder e legitimidade.
O conceito de memórias subterrâneas refere-se às lembranças de grupos marginalizados que permanecem fora das versões oficiais do passado.


=== História oral === <!--T:18-->
=== Contribuições para os estudos da memória === <!--T:20-->
Pollak valoriza a história oral como metodologia para acessar experiências silenciadas, ampliando o escopo da memória coletiva.
A partir das formulações de Pollak, a memória coletiva passa a ser compreendida como um processo dinâmico, marcado por disputas, silenciamentos e negociações. Sua abordagem contribui para deslocar o foco da estabilidade para a instabilidade da memória, evidenciando que o passado é constantemente reinterpretado em função das condições sociais presentes.
 
Essa perspectiva influenciou significativamente o desenvolvimento dos estudos da memória, especialmente em pesquisas sobre trauma, violência, regimes autoritários, políticas de memória e reconhecimento social. Ao introduzir a dimensão política da memória, Pollak amplia o escopo da teoria halbwachsiana e estabelece uma ponte entre sociologia, história e estudos culturais.


== Diferenciações conceituais == <!--T:19-->
== Diferenciações conceituais == <!--T:19-->
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* etnografia   
* etnografia   
* análise de mídia   
* análise de mídia   
* estudos de arquivo
* estudos de arquivo
 
== Debates contemporâneos == <!--T:27-->
 
=== Globalização da memória === <!--T:28-->
A memória passa a circular em escala transnacional.
 
=== Memória e trauma === <!--T:29-->
Cresce o interesse por memórias traumáticas e violência histórica.
 
=== Memória digital === <!--T:30-->
As plataformas digitais transformam a produção e circulação da memória.
 
=== Algoritmos e visibilidade === <!--T:31-->
A memória passa a ser mediada por sistemas algorítmicos que influenciam sua circulação.


== Críticas ao conceito == <!--T:32-->
== Críticas ao conceito == <!--T:32-->
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== Linha do tempo analítica == <!--T:33-->
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{| class="wikitable"
{| class="wikitable" style="text-align:left;"
! Período !! Desenvolvimento
! Período
! Autor(es)
! Contribuição
|-
| Final do século XIX
| [[Émile Durkheim]]
| Fundamentação da sociologia e da primazia do coletivo, base para a leitura social da memória
|-
| 1920–1950
| [[Maurice Halbwachs]]
| Formulação da memória coletiva e dos quadros sociais; deslocamento do psicológico para o sociológico
|-
| 1980
| [[Pierre Nora]]
| Conceito de lugares de memória; foco nos suportes simbólicos e institucionais
|-
|-
| Século XIX || Bases sociológicas (Durkheim)
| 1980–1990
| [[Michael Pollak]]
| Introdução do conflito, silêncio e memórias subterrâneas; politização da memória
|-
|-
| 1920–1950 || Formulação (Halbwachs)
| 1990
| [[Jan Assmann]]
| Distinção entre memória comunicativa e cultural; ampliação temporal e institucional
|-
|-
| 1980–1990 || Revisões críticas (Pollak, Nora)
| 2000
| [[Paul Ricoeur]], [[Jeffrey Olick]]
| Integração entre memória, narrativa e prática social; crítica à separação memória/história
|-
|-
| 2000+ || Expansão interdisciplinar (Memory Studies)
| 2010–presente
| [[Andrew Hoskins]], [[José van Dijck]]
| Memória digital e conectiva; mediação algorítmica e circulação em rede
|}
|}



Edição atual tal como às 19h31min de 30 de abril de 2026


A memória coletiva é um conceito central da sociologia e dos estudos da memória que designa o conjunto de processos sociais por meio dos quais grupos constroem, organizam, legitimam e transformam representações do passado. Sua formulação clássica é atribuída a Maurice Halbwachs, que estabeleceu que a memória individual é inseparável dos quadros sociais que a tornam possível.[1]

Diferentemente de abordagens psicológicas, a memória coletiva é compreendida como um fenômeno relacional, dinâmico e situado, no qual o passado é continuamente reconstruído a partir de condições sociais presentes. Trata-se de um processo seletivo, marcado por disputas simbólicas, regimes de visibilidade e mecanismos de esquecimento.

Memória Coletiva
Definição Construção social das lembranças compartilhadas
Origem Sociologia francesa (século XX)
Autor fundador Maurice Halbwachs
Perspectiva Sociológica
Desenvolvimentos Michael Pollak
Pierre Nora
Jan Assmann
Conceitos-chave Quadros sociais
Esquecimento
Memória cultural

Genealogia do conceito

Antecedentes intelectuais e sociológicos

A emergência do conceito de memória coletiva deve ser compreendida no contexto mais amplo da consolidação da sociologia como disciplina científica no final do século XIX e início do século XX. Antes de sua formulação por Maurice Halbwachs, a memória era predominantemente tratada por tradições filosóficas e psicológicas como uma faculdade individual, associada à consciência e à experiência subjetiva.[2] Nesse horizonte, recordar era entendido como um processo interno de recuperação de experiências.

A sociologia francesa, particularmente a tradição inaugurada por Émile Durkheim, altera esse enquadramento ao propor que os fenômenos sociais possuem existência própria e exercem coerção sobre os indivíduos.[3] Essa perspectiva permite deslocar a memória do plano individual para o coletivo, abrindo caminho para sua interpretação como fenômeno socialmente estruturado.

Nesse sentido, a memória coletiva emerge de uma tensão entre psicologia e sociologia. Halbwachs não nega a dimensão individual da memória, mas argumenta que ela só se torna possível a partir de quadros sociais que fornecem linguagem, categorias temporais e esquemas interpretativos.[4]

Contexto histórico da formulação por Halbwachs

A formulação do conceito ocorre em um período marcado por profundas transformações sociais, incluindo urbanização, consolidação dos Estados nacionais e os efeitos da Primeira Guerra Mundial. Esse contexto intensifica a necessidade de reconstrução de identidades coletivas e de reorganização das narrativas do passado.[5]

Em Les cadres sociaux de la mémoire (1925), Halbwachs demonstra que a memória não é autônoma, sendo estruturada por grupos sociais como família, religião e classe.[6] Esses grupos funcionam como sistemas de referência que orientam a recordação.

A ruptura com a memória individual

A principal inovação de Halbwachs consiste em deslocar a memória do campo psicológico para o sociológico. A lembrança passa a ser entendida como reconstrução social do passado, orientada pelas necessidades do presente.[7]

Essa perspectiva implica que diferentes grupos produzem diferentes memórias, evidenciando o caráter plural e situado da memória coletiva.

Críticas ao trabalho de Halbwachs

Apesar de sua importância, a teoria de Halbwachs foi criticada por sua ênfase na coesão social. Autores posteriores argumentam que sua abordagem tende a subestimar conflitos e disputas no interior dos grupos.[8]

Outra crítica refere-se à homogeneização dos grupos sociais, já que Halbwachs nem sempre considera diferenças internas como classe, gênero e poder.[9]

Além disso, a distinção entre memória e história foi problematizada por autores como Paul Ricoeur, que argumenta que ambas se entrelaçam na construção narrativa do passado.[10]

Michael Pollak e a revisão crítica

Michael Pollak introduz uma inflexão crítica ao enfatizar as dimensões políticas da memória. Em Memória, esquecimento, silêncio, o autor demonstra que o esquecimento é parte constitutiva da memória social.[11]

Pollak também desenvolve o conceito de memórias subterrâneas, referindo-se a lembranças de grupos marginalizados que não encontram reconhecimento institucional.[12]

Essa abordagem desloca o foco da coesão para o conflito, evidenciando que a memória coletiva é um campo de disputa simbólica.

Expansão contemporânea

A partir da década de 1980, o conceito é ampliado por diferentes autores. Pierre Nora introduz os lugares de memória como formas de cristalização simbólica do passado.[13]

Jan Assmann propõe a distinção entre memória comunicativa e memória cultural, ampliando a análise para formas institucionalizadas de memória.[14]

Estudos mais recentes destacam o papel da mediação cultural e digital na construção da memória coletiva.[15]

Maurice Halbwachs: fundamentos teóricos

Quadros sociais da memória

O conceito central da teoria de Halbwachs é o de quadros sociais da memória. Esses quadros correspondem a estruturas coletivas que organizam a experiência temporal e orientam a recordação.

Eles incluem:

  • família
  • religião
  • classe social
  • instituições

A memória, portanto, não é armazenada individualmente, mas reconstruída a partir desses referenciais.

Reconstrução do passado

Halbwachs demonstra que a memória não consiste na recuperação fiel do passado, mas em sua reconstrução. Essa reconstrução é orientada pelas necessidades do presente e pelos esquemas sociais disponíveis.

Memória vs. história

O autor distingue memória e história:

  • memória → vivida, coletiva, situada
  • história → sistematizada, abstrata, institucional

Essa distinção tornou-se central para debates posteriores.

Dimensão espacial

Halbwachs também atribui importância ao espaço, argumentando que lugares funcionam como suportes materiais da memória coletiva.

Michael Pollak: crítica e complexificação

Deslocamento teórico em relação a Halbwachs

A contribuição de Michael Pollak insere-se em um movimento de revisão crítica da tradição inaugurada por Maurice Halbwachs, especialmente no que se refere à ênfase na coesão social. Enquanto Halbwachs privilegia os quadros sociais como estruturas que tornam a memória possível, Pollak desloca a análise para os processos de tensão, conflito e exclusão que atravessam a construção das lembranças coletivas.[16]

Esse deslocamento implica uma mudança epistemológica relevante: a memória deixa de ser compreendida apenas como um mecanismo de integração social e passa a ser analisada como um campo de disputas simbólicas, no qual diferentes grupos competem pela legitimação de suas narrativas sobre o passado. Nesse sentido, Pollak não rejeita Halbwachs, mas complexifica sua teoria ao introduzir variáveis relacionadas ao poder, à marginalização e à desigualdade.

Memória, esquecimento e silêncio

Um dos eixos centrais da abordagem de Pollak é a articulação entre memória e esquecimento. Em contraste com concepções que tratam o esquecimento como falha ou ausência, Pollak argumenta que ele constitui um elemento estruturante da memória coletiva. O que uma sociedade recorda está diretamente ligado ao que ela escolhe, consciente ou inconscientemente, silenciar.[17]

O silêncio, nesse contexto, não deve ser interpretado apenas como ausência de discurso, mas como resultado de condições sociais específicas. Grupos que vivenciaram experiências traumáticas, como perseguições políticas, violência estatal ou exclusão social, frequentemente enfrentam obstáculos para narrar suas memórias, seja por medo, seja pela ausência de reconhecimento público. O silêncio, portanto, pode funcionar tanto como mecanismo de proteção quanto como efeito de dominação simbólica.

Memórias subterrâneas e marginalização

A partir dessa perspectiva, Pollak introduz o conceito de memórias subterrâneas, referindo-se a lembranças que permanecem fora das narrativas oficiais. Essas memórias são frequentemente associadas a grupos subalternos, como minorias étnicas, sobreviventes de regimes autoritários, populações deslocadas e sujeitos historicamente marginalizados.[18]

As memórias subterrâneas não desaparecem, mas circulam em espaços informais, como relatos orais, testemunhos e práticas culturais não institucionalizadas. Sua existência evidencia que a memória coletiva não é homogênea, sendo composta por camadas visíveis e invisíveis, reconhecidas e silenciadas.

Memória e identidade social

Pollak também enfatiza a relação entre memória e identidade, argumentando que a construção do passado desempenha papel central na definição de pertencimentos sociais. A memória coletiva não apenas organiza o passado, mas contribui para a formação de identidades individuais e coletivas, estabelecendo fronteiras simbólicas entre grupos.[19]

Nesse sentido, a memória é inseparável de processos de reconhecimento social. A possibilidade de narrar o passado e ter essa narrativa legitimada constitui um elemento fundamental na afirmação de identidades, especialmente em contextos marcados por desigualdades e exclusões.

Metodologia e história oral

Do ponto de vista metodológico, Pollak atribui centralidade à história oral como instrumento de investigação da memória coletiva. Ao privilegiar entrevistas, testemunhos e narrativas biográficas, o autor busca acessar dimensões da experiência que não são registradas em documentos oficiais.[20]

Essa abordagem permite evidenciar a pluralidade das memórias e revelar tensões entre versões oficiais e experiências vividas. A história oral, nesse contexto, não é apenas uma técnica de coleta de dados, mas uma estratégia teórica para problematizar a relação entre memória, poder e legitimidade.

Contribuições para os estudos da memória

A partir das formulações de Pollak, a memória coletiva passa a ser compreendida como um processo dinâmico, marcado por disputas, silenciamentos e negociações. Sua abordagem contribui para deslocar o foco da estabilidade para a instabilidade da memória, evidenciando que o passado é constantemente reinterpretado em função das condições sociais presentes.

Essa perspectiva influenciou significativamente o desenvolvimento dos estudos da memória, especialmente em pesquisas sobre trauma, violência, regimes autoritários, políticas de memória e reconhecimento social. Ao introduzir a dimensão política da memória, Pollak amplia o escopo da teoria halbwachsiana e estabelece uma ponte entre sociologia, história e estudos culturais.

Diferenciações conceituais

Memória coletiva vs. memória social

Embora frequentemente usados como sinônimos, alguns autores distinguem:

  • memória coletiva → ligada a grupos específicos
  • memória social → mais ampla, envolvendo sociedade como um todo

Memória comunicativa e cultural

Proposta por Jan Assmann:

  • memória comunicativa → curta duração, baseada em interação
  • memória cultural → institucionalizada, duradoura

Memória incorporada

Segundo Paul Connerton, a memória também se manifesta em práticas corporais, rituais e hábitos.

Mediação da memória

A memória coletiva não existe de forma direta, sendo sempre mediada por suportes simbólicos:

  • linguagem
  • narrativas
  • imagens
  • arquivos
  • mídia

Nos contextos contemporâneos, essa mediação é intensificada pelas tecnologias digitais.

Dimensão política da memória

A memória coletiva desempenha papel central na construção de identidades e na legitimação de narrativas históricas. Isso implica que a memória é um campo de disputa, no qual diferentes grupos competem pela definição do passado.

Memória, identidade e pertencimento

A memória coletiva está diretamente associada à construção de identidades sociais. Grupos definem a si mesmos por meio de narrativas compartilhadas sobre o passado.

Metodologias de análise

O estudo da memória coletiva envolve diferentes abordagens:

  • história oral
  • análise de discurso
  • etnografia
  • análise de mídia
  • estudos de arquivo

Críticas ao conceito

Entre as principais críticas:

  • tendência à homogeneização dos grupos
  • ambiguidade conceitual
  • tensão entre indivíduo e coletivo
  • dificuldade de operacionalização

Linha do tempo analítica

Período Autor(es) Contribuição
Final do século XIX Émile Durkheim Fundamentação da sociologia e da primazia do coletivo, base para a leitura social da memória
1920–1950 Maurice Halbwachs Formulação da memória coletiva e dos quadros sociais; deslocamento do psicológico para o sociológico
1980 Pierre Nora Conceito de lugares de memória; foco nos suportes simbólicos e institucionais
1980–1990 Michael Pollak Introdução do conflito, silêncio e memórias subterrâneas; politização da memória
1990 Jan Assmann Distinção entre memória comunicativa e cultural; ampliação temporal e institucional
2000 Paul Ricoeur, Jeffrey Olick Integração entre memória, narrativa e prática social; crítica à separação memória/história
2010–presente Andrew Hoskins, José van Dijck Memória digital e conectiva; mediação algorítmica e circulação em rede

Principais obras

  • HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva
  • POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio
  • NORA, Pierre. Les lieux de mémoire
  • ASSMANN, Jan. Cultural Memory
  • CONNERTON, Paul. How Societies Remember

Referências

  1. HALBWACHS, Maurice. Les cadres sociaux de la mémoire. 1925.
  2. BERGSON, Henri. Matéria e memória. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
  3. DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
  4. HALBWACHS, Maurice. Les cadres sociaux de la mémoire. Paris: Félix Alcan, 1925.
  5. HUTTON, Patrick. History as an Art of Memory. Hanover: University Press of New England, 1993.
  6. HALBWACHS, Maurice. Les cadres sociaux de la mémoire. 1925.
  7. HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.
  8. OLICK, Jeffrey; VINITZKY-SEROUSSI, Vered; LEVY, Daniel. The Collective Memory Reader. Oxford: Oxford University Press, 2011.
  9. ERLL, Astrid. Memory in Culture. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2011.
  10. RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Unicamp, 2007.
  11. POLLAK, Michael. “Memória, esquecimento, silêncio”. Revista Estudos Históricos, 1989.
  12. POLLAK, Michael. “Memória e identidade social”. Revista Estudos Históricos, 1992.
  13. NORA, Pierre. “Entre memória e história: a problemática dos lugares”. 1984.
  14. ASSMANN, Jan. “Collective Memory and Cultural Identity”. New German Critique, 1995.
  15. HOSKINS, Andrew. Digital Memory Studies. Routledge, 2018.
  16. POLLAK, Michael. “Memória, esquecimento, silêncio”. Revista Estudos Históricos, 1989.
  17. POLLAK, Michael. “Memória, esquecimento, silêncio”. 1989.
  18. POLLAK, Michael. “Memória e identidade social”. Revista Estudos Históricos, 1992.
  19. POLLAK, Michael. “Memória e identidade social”. 1992.
  20. THOMPSON, Paul. The Voice of the Past. Oxford: Oxford University Press, 2000.

Bibliografia

  • ERLL, Astrid. Memory in Culture
  • OLICK, Jeffrey. The Collective Memory Reader

Conceitos relacionados